Capítulo 7
Chá revelações
Felizmente, o sábado havia chegado!
Era hoje que a família descobriria se teriam mais uma menininha ou mais um menininho. No coração das duas avós, o desejo para que viesse com saúde era maior que qualquer outra coisa, mas no Eduarda, torcia também por mais uma menininha!
— Assim é fácil de acordar e difícil de querer levantar da cama! — A ruiva falou ao sentir a trilha de beijinhos no ombro.
Tinha alguma coisa mágica em todas as manhãs, um certo tipo de encantamento onde a temperatura ficava ideal embaixo das cobertas e o calor dos corpos era perfeito, assim como a temperatura fora dali… Era terrível sair daquele casulo!
— Bom dia, meu amor! — Lorena falou com a voz rouca e Eduarda abriu mão de ser a conchinha menor para poder encarar a esposa e era um acontecimento todas as manhãs.
— O que foi? — Lorena perguntou já acariciando o nariz da ruiva com a ponta do dedo, um hábito carinhoso e antigo, mas que ainda derretia a ruiva como da primeira vez.
— Ah, meu amor… é que eu sou completamente maluca por você, sério! — Eduarda falou e Lorena sorriu tímida — Juro, como é que pode você ser a mulher mais linda do mundo do momento em que abre os olhos até a hora de dormir, pelo amor de Deus eu fico fraca! — A ruiva falou e a morena se aconchegou, enfiando o rosto no pescoço sardento.
As duas seguiram naquele dengo por mais alguns instantes e Lorena ainda achava a coisa mais incrível e interessante do mundo o fato de seu corpo ter sido meticulosamente feito e projetado para se encaixar perfeitamente sob o de sua esposa.
Que mecanismo impressionante da mãe natureza!
Num movimento rápido e corriqueiro, Lorena montou nos quadris de Eduarda e as duas permaneceram com os peitos colados e realmente em teu seio, ó liberdade! Eduarda amava aquela posição, pois conseguia acariciar as costas da mulher e Lorena amava pois seu nariz, projetado especificamente para aquilo, encaixava perfeitamente na curva do pescoço da esposa, tudo isso sem falar no calor perfeito e ideal dali e nos corações batendo juntinhos.
Mas como sempre, de repente, do riso fez-se o pranto…
— Meu amor, a gente precisa levantar e cuidar de tudo! — Lorena falou urgente, levantando a cabeça e o tronco daquele casulo lindo e perfeito de amor — Meu Deus, a KitCat ainda não chegou e nós temos tanto a fazer!
— Meu bem, acho que se muito for, são seis e alguma coisa da manhã… — A ruiva falou com a voz mais paciente do mundo — A festa vai ser só no final da tarde, temos tempo e vai dar tudo certo.
— E-eu sei, meu amor… Você tem razão, é que eu fico nervosa, sabe?
Eduarda já conhecia aquela ladainha como a palma de sua mão, era uma vida inteira daquilo… Amava incondicionalmente e desmedidamente a esposa e a filha, mas as duas eram exatamente idênticas naquela questão: eram agoniadas demais, ficavam histéricas com facilidade, se afobavam e aquilo acabava abalando as estruturas do cérebro ruivo.
— Meu amor, ei, ei… olha aqui pra mim… — Eduarda pediu da forma mais amorosa que conseguiu — Toda essa situação, todo esse estresse… Isso não faz bem pra você e principalmente pra KitCat! Pensando nisso, marquei uma manhã de SPA para as três! — A ruiva falou com aquele tom de “voz da razão” e Lorena emudeceu.
— Três? Que três? — Lorena perguntou já de testa franzida e de orelhas em pé.
— As três mulheres da minha vida: você, a Catarina e a Ana! — Eduarda falou sorrindo largo, eu abafei muito nessa resposta, são os meus amores mesmo! Ó a cara de bocó mais linda do mundo da Lorena, achando que ia arrumar cabelo em sapo, aqui!
— Mas meu amor-
Queria que a Lorena entendesse que casou comigo e nessa pirâmide de amor, eu sou somente uma mera serva das vontades e anseios dela e que ela é MINHA deusa, meu sol, MEU TUDO! Ela manda e eu obedeço! Eu resolvo o que for para ver ela com essa carinha linda e feliz.
— Meu amor, ontem a gente repassou o plano duzentas vezes… — Eduarda se apressou em dizer — Anotei tudo no celular e de qualquer forma, o pessoal só vai chegar para organizar as coisas lá fora lá pras onze horas, meio dia — A ruiva falou calma, encarando a esposa — Eu vou ficar em casa, monitorando tudo e vou manter vocês duas atualizadas em tempo real. Quando der a hora, posso até te buscar e a gente se arruma junto aqui. — Eduarda falou sorrindo confiante, do jeito que quebrava completamente Lorena.
— E se tiver qualquer emergência? — Lorena perguntou tentando conter um sorriso bobo.
— Eu ligo na mesma hora para a minha superior Lorena Fragoso e ficarei inteiramente às suas ordens! — Eduarda falou sorrindo e cuidou de dar um beijo saboroso na boca carnuda da esposa, que perdeu completamente as estribeiras.
— Você é bem convincente, né? — Lorena perguntou quando conseguiu recobrar a capacidade de falar, piscando meio desnorteada, saindo à contragosto daquele feitiço.
Aí também eu casei com a mulher que é resolutiva e termina um assunto me beijando desse jeito, vou fazer o que mais? Por isso que as ruivas eram queimadas antigamente, bruxas terríveis, com capacidade hipnotizantes impressionantes!
— Vem cá que vou te convencer só mais um pouquinho! — Eduarda falou puxando Lorena pela nuca para mais um beijo, que quase virou outra coisa.
As duas partiram para o banho, depois de Eduarda ter posto à prova sua capacidade de resistir à certas tentações… Minha mulher tem hora para ir pro salão!
— Meu amor, por favor, né… — Eduarda falou tentando camuflar um sorriso bobo e safado
— Tô tentando manter o foco no dia de hoje, não quero te atrasar pra sair.
— Mas eu só tô tomando banho, ué… — Lorena respondeu num tom inocente, que não condizia em nada com a cara de safada.
— Roçando em mim desse jeito? — Eduarda perguntou apontando para o quadril de Lorena.
— Eu não tenho culpa que você fica na frente da água! — A morena respondeu fingindo estar brava.
Eduarda então deu um micro passo para o lado, puxando a esposa para frente e quando estava passando condicionador nos cabelos, sentiu a bunda de Lorena pressionando sua região íntima, esfregando devagar de um lado para o outro.
MEU DEUS DO CÉU EU CASEI COM UMA ESPÉCIE RARA E NUNCA VISTA ANTES: A PRIMEIRA VEGANA CARNÍVORA LOBA DEVORADORA DE MULHERES INDEFESAS DA FACE DA TERRA. Aaaaauuuuuuuuuu. BRIGADO MEU DEEEEEEEUS!
— E agora, a culpa é minha? — Eduarda perguntou sorrindo, completamente incrédula com a capacidade da morena em se fazer e amando cada segundo daquilo.
— Meu amor, isso daqui é um banho! Tem que esfregar pra poder fazer sabão, espumar, sabe? — Lorena falou no tom mais cafajeste possível e encarou a ruiva por cima do ombro, tentando não sorrir muito.
— Ah, é? — Eduarda perguntou balançando a cabeça afirmativamente — Você sabe que pode pedir, não sabe?
— Hummm… não acho muito elegante pedir por uma coisa que já é minha… — Lorena falou baixo, ao ponto de Eduarda canalizar todas as suas energias na boca carnuda, completamente inebriada e com cara de boba, eufórica a ponto de balançar o rabinho e tudo — Acho mais gostoso sugerir, assim deixo em suas mãos sábias o poder de decidir.
— A morena falou mordendo o lábio inferior numa tentativa falha de esconder o sorriso mais putífero do dia.
AAAAAAAAAAA, QUE MULHER É ESSAAAAAAAAAAA?????
Teatralmente, a ruiva pegou o frasco do condicionador e o derrubou no chão, ela e Lorena encararam o objeto caído perto do ralo.
— Puxa… acabou de cair! — Eduarda falou e foi logo se ajoelhando.
Depois de alguns minutos gastando água, mas menos que o agronegócio, debaixo do chuveiro e de algumas brincadeiras de-li-ci-o-sas… Lorena se encarregou de preparar o café da manhã enquanto Eduarda foi atender a ligação da filha, que avisou que chegaria em alguns minutos.
Só deu tempo de as duas acabarem de comer, Eduarda já tinha se adiantado em avisar a portaria que a filha estava chegando e a ruiva não conteve a risada ao ver a cara da neta, completamente desumilde por ir passar uma manhã no salão de beleza.
— Breno, se você quiser ir eu posso ficar com o Antônio. — Eduarda falou, torcendo para que o genro pegasse o beco!
— Até parece, mãe! — Catarina falou sorrindo — Ele vai ficar aqui e te ajudar com o que você precisar!
— Exatamente, sogrinha! — Breno falou, abrindo aquele sorriso largo, ingênuo e absurdamente boboca.
Eduarda precisou se concentrar muito, apenas para conseguir trincar os dentes e simular algo remotamente parecido com um sorriso, mas quem olhasse mais de perto ia ver que era de desespero.
Eu pensei em quase tudo…. QUASE!
— Qualquer coisa me liga, hein! — Lorena falou dando um selinho na esposa.
A ruiva permaneceu parada na garagem, vendo o carro da filha se afastar com todas as suas mulheres favoritas e eu fiquei com esse filhote de saruê!
— Antônio, você quer brincar ali com seu carrinho, filho? — Breno perguntou a criança e a ruiva encarou o jovem por alguns instantes, com a estranheza de como uma pessoa da área de humanas encara qualquer cálculo matemático.
Graças a Deus ele abandonou aquele cabelo comprido de Jesus europeu e deu uma melhorada na barba… Mas essa cara de pamonha, essa bermuda folgada mostrando o elástico da cueca e essa aversão por camisas ainda me mata… E puta que pariu, ainda tem a tatuagem tenebrosa no peito. Senhor, porque me abandonaste?
Mesmo com o passar dos anos, Eduarda não conseguia entender como que a sua menina, sua preciosidade, sua coisa mais rara e pura no mundo foi se apaixonar por aquilo! Catarina sempre foi linda, modéstia parte, os cabelos cheios, de um castanho acobreado lindo, os olhos que dependendo da luz ficavam num castanho esverdeado, a covinha mais funda do lado esquerdo da bochecha… Educada e falante demais, parecia saber de tudo e todas as coisas antes mesmo dos dez anos de idade, um faro aguçado! Sempre foi extremamente inteligente e divertida, com um leve toque de esquisitice, encantadora! E o genro…era o Breno. Um cara bobo, sem um pingo de maldade, mas com a capacidade motora e a compostura de um boneco de posto em dia de ventania.
Eduarda conheceu Breno quando ele ainda era o “Breninho” e só aquele apelido no diminutivo a irritava. Era um jovem completamente tapado de dezessete anos, usava umas bermudas largas, que cabiam três dele dentro, e aparentemente tinha camisas de todos os times do mundo, era magro e sua estrutura óssea se assemelhava muito a um anzol e que por algum motivo desconhecido, era amigo da melhor amiga de Catarina e pimba, foi assim que se conheceram!
A ruiva não lembrava o momento exato em que tinha adquirido tanto ranço pelo rapaz, mas tinha certeza que tudo começou entre quando foi deixar a filha no cinema para assistir um filme de terror e a menina voltou sozinha para casa, já que seu acompanhante vomitou de medo ou se foi quando os dois começaram a estudar na mesma sala depois que o rapaz reprovou de ano, mas com toda certeza, o fato de ele ter engravidado sua menina na adolescência ainda era como uma facada nas costelas ruivas de Eduarda.
— Sogrinha, a Cat me falou que tem umas lâmpadas para pendurar, como sou mais alto… Posso começar por elas! — Breno falou, completamente alheio ao olhar de mil facas de Eduarda, arrancando a ruiva de seu devaneio.
— Eh…— Eduarda falou mordendo de leve os lábios e respirando fundo — Eu vou pegar a caixa de ferramentas — A ruiva falou apressada e depositou um beijo na cabeça do neto, que estava sentadinho coçando a cabeça olhando a cena toda.
Se tinha uma coisa pela qual Eduarda se orgulhava, era da sua caixa de ferramentas! Era uma mulher com “M” maiúsculo, resolutiva, preparada e assim como sua falecida mãe, era ótima em todo e qualquer trabalho manual. Ao longo da vida, agradeceu inúmeras vezes ao universo por ter sido criada por mulheres tão funcionais. Em segundos, a ruiva já estava ativando seu “modo Pereirão”, pronta para tudo!
— Aqui estão os fios, acho que vamos precisar unir um no outro, por causa da distância e as lâmpadas estão lá dentro. A gente monta primeiro a estrutura e depois testa todas, a última vez que usamos isso aqui foi no arraiá e vai que tem alguma queimada… — Eduarda falou tranquila — Eu deixei marcado ontem com a Lorena onde a gente vai precisar furar na parede.
Apoiou a caixa de ferramentas na mesa perto da churrasqueira e a abriu, sentiu dor nos ossos e na alma instantaneamente, só de ver a cara de espanto que Breno fez, é melhor eu nem ficar encarando, pra não ter mais raiva. A ruiva então puxou a furadeira de dentro da caixa de ferramentas e foi conectando na extensão, até…
— Eu acho que está queimada! — O homem falou segurando a furadeira apontando para cima enquanto o indicador massacrava o gatilho.
Eduarda respirou fundo pelo nariz e tentou soltar devagar pela boca.
— É que só funciona quando conectar o plugue na tomada, Breno.
— Ah! Claro, claro! Lógico! — Ele falou, soltando aquela risadinha de bobalhão sem graça e dando uma batidinha na própria testa.
O medo que faz é bater aí e fazer eco!
— Eu posso furar se você quiser, temos escada aqui e-
— Sogrinha, confia no pai! — Breno falou sorrindo e Eduarda apertou as palmas das mãos com força e riu bufando, totalmente descreditada daquela sequência de palavras.
— Vó, a senhora pode cortar bananinha pra mim? — Antônio surgiu coçando a cabeça, pedindo todo manhoso, o coitado ainda tá com a carinha de sono.
— Claro, meu amor! — Eduarda respondeu sorrindo, o tom de voz e o humor mudando da água para o vinho — Vovó vai te dar comida e que tal a gente ir tirar um cochilinho depois? Hum? — A ruiva perguntou e o menino já estava com os bracinhos estendidos, pedindo colo — Breno, vou organizar o Antônio… Já volto. — A ruiva disse por fim e entrou com o pequeno parecendo um coalinha nos braços, com a cabeça encostada no pescoço da avó.
— Pode ir, está tudo sob controle aqui. — Breno falou acocorado, ligando a extensão à tomada.
Eduarda entrou com o neto nos braços e foi direto na mochila dele, pegando a mamadeira. Cortou uma banana em rodelas, colocou um pouco de aveia e leite em pó e em alguns minutos, com habilidade e com o neto ainda no colo, preparou um mingau.
Do lado de fora, o barulho familiar ecoava sem pena. O menino comeu a banana e depois bebeu todo o gagau. Estava com tanto sono que acabou dormindo no processo e a ruiva o colocou com cuidado no “L” do sofá, em seguida, deixou a área mais segura com uma barricada de almofadas e saiu.
O que diabos?
— Breno…
— Oi — Ele respondeu alto, finalmente soltando o gatilho. O barulho ensurdecedor cessou de vez.
— P-por que v-você tá furando aí? — Eduarda perguntou, apontando o indicador trêmulo para a pilastra principal de madeira de lei da casa, sentindo o braço inteiro formigando de ÓDIO.
— Ué? Tava marcado aqui! — Ele falou com aquela cara de bobalhão.
Eduarda saiu caminhando indignada e parando do lado dele.
— Breno… — Ela falou e respirou fundo — Primeiro: isso aqui — Ela falou entredentes apontando para uma marca branca na pilastra — Provavelmente é bosta de passarinho! — Ela emendou com a veia da testa saltando — Segundo: as lâmpadas vão ficar penduradas ALI, perto da piscina! Aqueles dois “X” vermelhos na parede são os locais para furar e terceiro… VOCÊEMPENOUMINHABROCA!
— Puuuuxa vida! — Ele falou cobrindo o rosto com a mão livre — Tinha entendido que era aqui, f-foi mal! — Ele falou sorrindo amarelo e Eduarda sentia a fumaça saíndo de sua cabeça — A-acho melhor a senhora furar! Eu vou cuidar das lâmpadas lá no cantinho!
— Ótimo! — Foi tudo que a delegada conseguiu esbravejar, arrancando a furadeira da mão dele e assistindo o elemento se afastar.
Todo o ódio foi dissolvido ao ler “Meu amor” no display de chamadas do celular.
— É o celular da delegada mais gostosa da minha vida? — Lorena falou assim que a ruiva atendeu.
— Só se quem estiver perguntando for a esposa mais saborosa do mundo... — Eduarda respondeu sorrindo.
— Felizmente, sim! Meu amor, como estão as coisas por aí?
— Tá tudo ótimo, amor! Coloquei o Tunico pra dormir, tadinho tava morrendo de sono… Vou começar a furar a parede agora, só pra ir adiantando as lâmpadas! — Eduarda disse — E por aí?
— Estamos ótimas! Depois dá uma olhadinha nas fotos que vou te mandar no WhatsApp! Vou precisar desligar aqui, te amo!
— Sei que é impossível, mas fique ainda mais linda e não se preocupe com nada! Te amo demais, meu amor! E me mande as fotos!
A ruiva habilmente pegou uma broca nova e a escada. Em menos de dez minutos, tudo estava devidamente furado e os ganchinhos postos para segurarem os fios. Agora, preciso só prender isso aqui-
BUFO! CRAC!
Um barulho seco de caixa caindo e vidro estilhaçando ecoou.
PUTA QUE PARIU!
— Antônio? Breno? — Eduarda chamou alto, já saltando os degraus da escada de uma vez só e correndo para dentro de casa. Parou imediatamente ao ver a cena diante de seus olhos:
Breno estava completamente estatelado de costas no chão da área externa, com a caixa de lâmpadas sabe-se lá em que estado em cima do peito.
COM TODA CERTEZA DO MUNDO, VENDER GELO NO ALASCA TEM MAIS SERVENTIA QUE ESSE PORRA!
— Você se machucou? Se cortou? — A ruiva perguntou preocupada demais com as lâmpadas.
— Não, não… Tá tudo bem... — Ele falou sentando e Eduarda já tinha tentado evitar chorar em público, sabia o que ele estava tentando fazer e viu o momento exato em que os olhos do genro encheram de lágrimas e ele foi soltando o ar pela boca de forma dramática.
— Vem aqui pra eu te ajudar a levantar, homem. — A ruiva falou estendendo a mão e do nada, ouviu um fungado.
Ele estendeu a mão de volta, mas num gesto de quem pede um tempo, como uma criança desolada que leva um baque de rede e precisa processar a informação e Eduarda seguiu encarando a criatura caída no chão com a tatuagem no peito cabeludo parecendo um outdoor e então, ouviu um som aterrorizante… pior que a cacofonia da delegacia, pior do que o barulho das sirenes, pior até do que som de tiro… o som de choro histérico de homem pamonha chorando.
— Buaaaaah! — Breno explodiu num pranto descontrolado, soluçando, chacoalhando os ombros e fazendo uma cara tão absurdamente feia que Eduarda precisou dar um passo para trás.
— Meu Deus do céu… — Eduarda murmurou incrédula passando as mãos pelo rosto e sentiu uma vontade súbita de gargalhar ao ver a careta que o genro fazia chorando, meu Deus que coisa horrível!
— S-sogrinha… I-sso é normal, t-tá? — Ele falou entre fungados, um fio de catarro escorria impiedoso pelo nariz — H-homens também c-choram! — Ele falou com o rosto vermelho e Eduarda quis gargalhar de novo.
Esse filhote de saruê quer vir falar sobre homens chorando sendo que eu sou filha do meu pai! É mole?
— Tudo bem chorar, Breno… Pelo amor de Deus, lembra de respirar… Tá ficando roxo… — Ela falou com a voz tremendo, tentando conter a gaitada.
— S-são os hormônios da g-gestação! — Breno falou, a voz afinando completamente num miado — A Cat tá grávida, mas eu é que s-sinto os sintomas! Eu s-sempre fico muito sensível no segundo trimestre!
— LENÇOS! Eu vou buscar alguns lenços! — A ruiva falou com os olhos cheios de água, de tanto prender o riso e saltou por cima dele, encarando o relógio da sala e rindo de se acabar.
Eduarda entrou na despensa da cozinha, em busca de uma caixa de lenços, sabia que tinha comprado, mas onde Lorena enfiou? E recebeu algumas notificações.
Abriu o WhatsApp sorrindo.
Lorena: Toma essa sequência de fotos da sua neta relaxando, lavando o cabelo e bebendo café com nutella aqui no salão ☕💆
Eduarda: Aaaah, meu amor! Olha que coisa mais delícia da minha vida 💕
Eduarda: Ela tá uma mocinha linda demais, o tempo tá passando muito rápido 😭😭😭
Lorena: A Catarina dormiu durante a massagem nos pés, a bichinha tava precisando dar uma relaxada mesmo, meu amor!
Eduarda: A rotina fica muito corrida pra ela e ainda tem o bebê na barriga…
Eduarda: Semana que vem vou marcar SPA de novo e a gente vai!
Lorena: Assim, amei a massagem! MAS prefiro 100% a que recebi em casa ☝️🤓
Eduarda: A de casa você pode ter todos os dias, meu amor!
Eduarda: A massagista pediu para avisar que é uma honra tocar numa coisa tão perfeita 🤤
Lorena: Pois avise a massagista que mais tarde, se ela quiser…
Eduarda: Pois ela há de querer sim 🎉🔥
Eduarda: Chegou aqui no meu ponto que o horário dela é livre quando tá no seu colchão!
Lorena: Que bom! Mais tarde vamos tirar todo tesão acumulado!
Lorena: Tensão acumulada (meu Deus, esse corretor!)
Eduarda: O corretor, né, amor? 😋
Lorena: Mas ei, pintei a unha da sua cor favorita 💅
Eduarda: Ué, não sabia que tinha esmalte verde da cor dos seus olhos 🤤🤤
Eduarda: Vamos providenciar em litros e mandar pintar a casa toda!
Eduarda: Manda foto, amor!
Lorena: Pintei assim, ó
Lorena: ▶️Vídeo de visualização única
Eduarda abriu o vídeo e na mesma hora sentiu as pernas bambearem, o peito acelerar e uma vontade imensa de se rasgar inteira, uivando para a lua. CAIU PORRA, A SALADA CAIU NO PRATO DA VEGANA MORTA DE FOME!
A mente de Eduarda era como uma queima de fogos de 21 minutos de final de ano.
QUE MULHER PROFANA, DIABÓLICA, LINDA, GOSTOSA, SABOROSA, APETITOSA, MEU DEUS DO CÉU, O VÍDEO… OS DEDOS LONGOS COM AS UNHAS PINTADAS DE PRETO, OS DEDOS TAPANDO O BICO DO PEITO, MOSTRANDO AS BEIRADINHAS, A ALIANÇA BRILHANDO, MEU DEUS DO CÉU ELA ME ENGRAVIDOU VIA WI-FI! TÔ OVULANDO! MEU SONHO COMER ESSA CASADA!
Eduarda: MEU AMOR!
Eduarda: 🥵🥵🥵🥵🥵🥵
Eduarda: CHEFA TO FRAVA
Eduarda: *CHEGA TÔ FRACA
Eduarda: Fiquei até analfabeta
Eduarda: MANDOU VISUALIZAÇÃO ÚNICA PORQUE?
Eduarda: POR ACASO SOU AMANTE AGORA?
Eduarda: LORENA!
Eduarda: QUE HORAS VOCÊ VEM PRA CASA?
Lorena: Meu amor… Calma, respira! 🧘
Eduarda: CALMA?
Eduarda: VOCÊ VAI NUM BANHEIRO E GRAVA ESSE VÍDEO PRA MIM…
Eduarda: E QUER QUE EU FIQUE CALMA?
Eduarda: MINHA PRESSÃO TÁ VINTE POR DEZENOVE!
Eduarda: SÓ NÃO TÁ MAIOR QUE O MEU TESÃO, PQP!
Eduarda: Você esquece que eu sou uma velha!
Lorena: Mandei visualização única porque sei que você tem muita coisa pra fazer 😇
Lorena: Não pode perder muito tempo distraída com o celular…
Lorena: Muito tempo de tela para idosos não é legal!
Eduarda: Meu coração é fraco, não aguenta essas coisas! Eita… “fraco”... EITA PORRA, O BRENO!
A ruiva saiu correndo pro lado de fora segurando o pacote de lenços, encheu um copo d'água e o genro seguia chorando, mas pelo menos tinha saído da pose de atropelado para sentado!
— Obrigado! — Ele falou e assoou o nariz, que fez um barulho feito elefante e depois bebeu água.
Eca!
A ruiva passou a mão pelos cabelos, respirou fundo e sentou perto dele, indo contra completamente tudo o que seu próprio cérebro berrava.
— Breno… — Ela falou calmamente, num tom maternal.
— Eu tô bem… Só… Sou assim desde sempre! — Ele falou limpando os olhos com as costas das mãos — Não consigo fazer nada direito, nada! Tudo o que eu vou fazer, tá errado! Tudo o que eu faço, tá errado! Se eu faço isso, tá errado! Se eu faço aquilo, tá errado! — Breno desabafou de uma vez, ficando sem fôlego — Inclusive, nesse momento aqui, agora, acho que tô errado!
Eduarda encarou o jovem e pela primeira vez sentiu um pouco de compaixão por ele.
— A Aninha foi um baque! — Ele falou chorando copiosamente — Lembro de ter ficado desesperado e se não fosse pela ajuda da senhora e da Lorena, nem sei o que seria de mim e das meninas… Aí veio o Antônio! A Catarina me falou que eu desmaiei segurando o teste de gravidez positivo, mas eu nem lembro disso e agora… Outro bebê!
A delegada encarou o genro e pela primeira vez, estava completamente de acordo com o que ele estava dizendo e sentindo, criar os filhos é realmente uma loucura!
— Filhos realmente são essa caixinha de surpresa, rapaz! — A ruiva falou num tom baixo, compadecida e sentimental, lembrando da própria experiência.
— M-mas como eu v-vou saber que tô indo no caminho certo? Que eu tô sendo um bom pai? — Ele perguntou com a voz embargada — Eu fui um fraco!
— A gente só... Fraco? Como assim?
— Sogra, me perdoe pelo que eu vou falar agora — Ele falou com os olhos avermelhados e a ponta do nariz vermelha — M-mas é completamente impossível resistir ou ir contra q-quando a Catarina quer m-muito alguma coisa! — Ele falou com as bochechas vermelhas
— Na cama, ela… — Ele partiu a frase no meio ao ver a cara ULTRAJADA de Eduarda, que queria vomitar e estapear ele na mesma proporção.
— Por tudo que há de mais sagrado, me poupe dos detalhes! — Foi tudo o que Eduarda conseguiu verbalizar, a mão levantada em sinal de pare.
— E-ela me tira do eixo!
Eu sei bem como é… Realmente, as mulheres Ferette são um perigo!
— Vocês duas sempre pareceram tão certas, tão sábias e eu tô completamente perdido… Desnorteado, sei lá… — Ele continuou
— Breno, filhos são uma maravilha. — Eduarda falou sorrindo lembrando da filha e acabou virando o rosto para encarar o neto — A Catarina é literalmente a melhor coisa que aconteceu na minha vida e na da Lorena, ela me mudou completamente… Eu nunca pensei que poderia ser ainda mais feliz e hoje eu vou descobrir se vou ter mais um netinho ou netinha! A verdade é que a gente nunca sabe se tá indo pelo caminho certo, a gente só tenta ser a melhor versão o tempo todo, dar a melhor educação, conversar, ouvir, encher de amor ao ponto de que isso preencha qualquer outra falta… Acho que só o fato de você se questionar, já mostra que tá no caminho certo.
Breno seguia encarando a ruiva como se fosse integrante da Caverna do Dragão vendo o Mestre dos Magos aparecendo e sem aviso, com um alívio tremendo, a puxou para um abraço meio desengonçado.
— Obrigado, sogrinha! — Ele falou e ela o abraçou de volta, ignorando a sensação medonha dos pelos dos peitos dele nos seus…
— Agora anda, levanta daí que a gente ainda tem muita coisa para organizar e não queremos desapontar nossas mulheres! — Eduarda falou levantando e estendendo a mão para o genro.
— É verdade! — Ele falou batendo no calção, para limpar a peça — O que vamos fazer agora?
— Vamos ver se alguma das lâmpadas se salvou e caso contrário, ligo para o Paulinho comprar quando estiver vindo! — Eduarda falou tentando trazer alguma tranquilidade para o rapaz.
— Ótimo! — Ele falou e imitou os passos da ruiva, pegando as lâmpadas de dentro da caixa com cuidado e colocando nos bocais.
Havia um silêncio confortável, os dois ocupados com as lâmpadas, até ele ser quebrado por um grito agudo.
— Uuufff — Breno urrou do nada — Cortei meu dedo! PUTAMERDA— Ele falou ofegante — Aaaaai — Ele falou entredentes, com as lágrimas já escorrendo.
Eduarda logo se prontificou em pegar a mão do rapaz, já pensando que teria que levá-lo ao hospital, pelo grito deve ter rompido uma artéria!
— AAAH, BRENO! — A ruiva falou indignada, a paciência evaporando — UM CORTEZINHO DESSES? NEM SANGUE SAIU DIREITO! VIRA HOMEM! Sai, sai daqui! PACIÊNCIA TEM LIMITE TAMBÉM, BÉ!
XXX
Um pouco antes da hora do almoço, Eduarda, Breno e Antônio ouviram o portão abrir e as três finalmente tinham voltado do salão. O pessoal da organização também já havia chegado e seguiam o plano conforme a ruiva tinha solicitado.
Aninha foi a primeira a descer do carro, completamente radiante:
— VÓ, OLHA O QUE EU FIZ NO MEU CABELO! — A menina falou exibindo duas mechas rosas, perdeu completamente os traços da humildade!
— Meeeeu Deeeeus, que coisa perfeita! — Eduarda falou agarrando a menina e passando a mão suavemente pelos fios de cabelo da neta — Tá linda, meu amor! Com toda certeza, a neta mais velha mais linda que eu tenho! E como foi lá?
Lorena ouviu a esposa falando e riu da lábia da ruiva.
— EU AMEI! Eles lavaram meu cabelo numa cadeira especial e depois botaram um treco que parece um capacete com bafo quente! — Olha, pai! — A menina berrou indo em direção ao pai, que sorria completamente abobado.
— Mãe, muito obrigada por esse SPA hoje, a senhora nem sabe o tanto que me salvou! — Catarina veio logo em seguida, com os braços abertos, pronta para agarrar a mãe num abraço gostoso.
— De nada! Você ficou linda com o cabelo desse jeito! — Eduarda falou encarando a filha e sorrindo largo — Tá a cara da sua mãe nessa idade, como é que pode?
Por isso que o coitado do Breno segue sendo só um coitado… Eu era pior!
— Só que com o seu nariz e sua boca! — Catarina falou divertida.
— Que bom que eu fiquei com tanta coisa, né? — Eduarda respondeu brincando e beijando a testa da filha.
— Olha, filho, como sua irmã tá linda e a sua mãe… UAU! — Breno falou com Antônio no braço.
— Cadê a sua mãe? — Eduarda perguntou.
— A dona Lorena? Acho que tá terminando de tirar as coisas do carro… Ela tá um caso sério viu! — Catarina falou sorrindo de forma meio misteriosa.
— Meu bem, você está linda! — Breno falou e inclinou o corpo para um selinho rápido.
— Tá linda, mamãe! — Antônio falou coçando a cabecinha.
Coisas no carro? Por acaso a Lorena esqueceu que tem esposa e que pode me chamar para ajudar a carregar?
— Meu amor? — A ruiva chamou já indo pra garagem — Cadê você?
— Tô aqui… A gente passou no mercado… Comprei o suco de uva que você gosta!
Eduarda travou completamente encarando a esposa, que tentava, em vão, esconder o sorriso.
— Amor… — Eduarda começou a falar mas as sinapses pifaram.
— Você gostou?
Eduarda seguia encarando o cosplay de Afrodite a sua frente, completamente em choque. Lorena tinha dado uma aparada nos fios ondulados, que agora estavam lisos, e num comprimento um pouco menor, com uma franja longa e duas pontas.
— Tô começando a achar que você não gostou… Falei pra Cat que você era super apegada ao meu cabel-
A ruiva não esperou a esposa terminar de falar e selou os lábios das duas, num beijo faminto e voraz, imprensando Lorena contra a porta do veículo e tudo. As línguas dançavam soltas pelas bocas e permaneceram naquela dança frenética até Eduarda perder o fôlego e se afastar cinco milímetros para respirar.
— Eu me sinto muito burra desde que a gente se conheceu… Nunca encontro palavras para descrever o quão linda você é e agora, meu Deus! — Eduarda falou sorrindo e ganhou mais um beijo rápido.
— Gostou mesmo? — Lorena perguntou encarando os olhos castanhos familiares.
— Só não mais do que as unhas! — Eduarda falou sorrindo sapeca e ganhou mais um beijo. — Tá linda, meu amor! Uma deusa! — A ruiva falou deslizando as pontas dos dedos pelos cabelos de Lorena.
— Uma deusa, é? — Lorena perguntou rendida.
— E eu sou completamente monoteísta, hein! — A ruiva respondeu e ganhou um beijo rápido!
XXX
Todos almoçaram e conforme a hora foi passando, o cenário foi ficando pronto, o pessoal do buffet organizando tudo e aos poucos o jardim foi se preparando para a grande revelação, tudo milimetricamente calculado e organizado orgulhosamente por Maggye, que estava em seu modo promoter.
De longe, Eduarda assistia a cena em volta e sorria satisfeita ao ver a simplicidade da coisa toda, há essas alturas, a ruiva já tinha colocado Revelação para tocar, nada mais justo para tocar eles num chá-revelação.
— E quando menos esperar, clareou! — Eduarda cantarolava baixinho.
Aos poucos os convidados foram chegando e surpreendendo a todos, Leonardo Ferette foi o primeiro a chegar. Lorena quase caiu para trás com a surpresa que Catarina arquitetou com Eduarda e o tio.
— Vim todo de rosa, pois eu acho que é outra menina! — Ele falou chegando no meio do gramado do mais absoluto nada, abraçando Catarina e quase levantando a sobrinha do chão.
— Que bom que o senhor veio, tio!
O tio babão seguiu distribuindo abraços, quase que ele não consegue se soltar de Tunico, que ria mole em seu colo e o que chamou atenção, além de ele parecer o ursinho carinhoso rosa, foi o fato de que estava acompanhado por uma mulher.
— Meu Deus, que coisa boa te ver aqui! — Lorena falou envolvendo o irmão num abraço apertado.
— É bom te ver também, mana! — Ele falou sentimental e se virou para a Eduarda — Essa aqui é a minha cunhada, a que ficou doidona de maconha que te falei! — Ele falou com a mulher parada ao seu lado.
— É um prazer! — Eduarda respondeu educada, sem saber onde enfiar a cara.
— Meninas, essa é a Danusa! — Leonardo apresentou a mulher de seus trinta e poucos anos, pelo menos nisso ele está evoluindo — Minha namorada!
— É um prazer te conhecer, Danusa! — Lorena falou abraçando brevemente a loira — Pode ficar à vontade. Sinta-se em casa!
— E você, Leo, lembre que não está em casa! — Eduarda falou sorrindo e todos riram.
Aninha e Antônio seguiam brincando com algumas outras crianças, os filhos dos amigos de Breno e Catarina, aos poucos, as mesas foram enchendo e o clima era de muito amor, confraternização e alegria generalizada.
Henrique Fragoso já se encontrava em um papo muito cabeça, com um dos amigos alternativos de Breno, um tal de Bagdá e a ruiva se questionava sobre o que tanto conversavam, mas foi arrancada de seu próprio devaneio quando sentiu aquela presença.
— Meu amor, você pode, por favor, parar de ficar me encarando desse jeito? — Eduarda pediu tentando parecer séria, mas completamente mole ao encarar aquele par de olhos verdes com intenções claras de lhe devorar.
— Eu não tenho culpa se aparentemetne, você está tentando me matar! — Lorena falou deslizando a mão livre pelo quadril da esposa. — Amo essa música! Meu amor, teu amor é o calor do meu desejo, é imensa a vontade de amar quando te vejo, no meu sonho tão lindo, você é minha sedução, que me leva pra cama, me ama, além da imaginação! — Lorena cantarolou baixinho.
— Você quem escolheu minha roupa e a culpada sou eu? — Eduarda perguntou divertida e se balançando nos braços da esposa.
— Claro que sim, nem em sonho eu imaginei que você ficaria tão gostosa com esse vestido marrom! — A morena falou aproximando a boca da orelha da ruiva, que arrepiou na mesma hora.
— Pois comece a imaginar sem! — Eduarda falou virando a cabeça de lado, só para provocar.
— Aaah, mas isso eu já imaginei! — Lorena falou envolvendo a cintura da ruiva com as duas mãos, mas com cuidado para o vidro da cerveja não bater no vestido — Com toda certeza, a maior graça está em tirar a sua roupa! — A morena falou e Eduarda estremeceu. O flerte das duas foi interrompido quando o casal de amigos surgiu no meio do jardim.
— Pensei que não teríamos a honra de ver Paulo Reitz e Gerluce Maria das Graças aqui em casa! — Eduarda falou enquanto o amigo a puxava para um abraço.
— Nem adianta reclamar comigo, a Gerluce quem atrasou! — Paulinho falou soltando a ruiva e abraçando Lorena.
— Isso não é novidade pra ninguém! — Lorena falou sorrindo.
— Vocês sabem que isso é mentira! — Gerluce falou abraçando a ruiva — Ele quem fica horas na frente do espelho agora tentando camuflar a calvície!
— Tá florido por aqui hoje, né? — Paulinho falou encarando todo o entorno e sorrindo — Fiquei feliz pelo Breno e pela Cat, nitidamente eles estão alegres demais!
— Ela tá radiante, acho que nunca esteve tão bonit-
— VÓ! — Aninha berrou e veio correndo com as bochechas vermelhas — O interfone… te chamando… mais cedo!
— Oi, meu amor! — Eduarda falou se virando para encarar a menina — O que foi? Respira e explica direito a história.
— Lembre de falar com o pessoal também! — Lorena falou e a menina apenas coçou a cabeça e lançou um sorriso feliz para Paulinho e Gerluce.
— Oi, tios!
— Eu vou lá dentro ver o que é! — Eduarda falou já indo para perto do interfone.
XXX
— Meu amor, o que foi que aconteceu? — Lorena perguntou assim que Eduarda voltou carrancuda do interior da casa.
De repente, toda aquela cacofonia estava estressando Eduarda. O som ligado, as crianças correndo e gritando, as vozes misturadas e a ligação da portaria, avisando que Macedo estava lá e precisava falar pessoalmente com a delegada Eduarda Fragoso.
Deve ter acontecido uma merda muito federal na delegacia, se foi aquele caso dos Lacerda, vou ficar aqui até acabar a festa e vou virar a noite por lá!
— N-não foi nada, meu amor… — Eduarda falou, tentando sem sucesso suavizar a fisionomia de assassina de aluguel para não assustar Lorena. — É só o Macedo que precisa subir, quer falar comigo urgente.
— Ele quer falar urgente nas suas férias? — Paulinho perguntou incrédulo — A coisa vai feder! — Ele disse e na mesma hora, a ruiva deu uma cotovelada nas costelas dele.
Lorena não era boba e apesar da carinha de bebê, não tinha nascido ontem. Sentiu de longe que havia algo a mais ali…
— Eu vou lá fora ver o que ele quer e já volto…
— Posso ir com você? — Lorena perguntou baixo segurando gentilmente a mão da esposa numa tentativa de ser uma âncora.
— Vocês sabem que todos nós vamos, né? — Gerluce falou e os quatro amigos seguiram caminhando juntos até a saída, só precisaram desviar de cinco crianças correndo.
Macedo estacionou o carro e desceu desconfiado, se deparando com uma ruiva de cara fechada e três gárgulas ao redor.
— Doutora! — O homem falou com um sorriso largo no rosto, que não condizia em nada com a fisionomia séria da ruiva — Boa tarde, pessoal. — Ele falou simpático para os outros três e Eduarda viu de relance que Paulinho revirou os olhos.
— Boa! — Eduarda respondeu impaciente — Agora, desembucha logo, o que foi que você veio fazer aqui?
— Então… A senhora lembra do tio de Biu de Genaro que lhe falei? — Macedo perguntou e a mente de Eduarda era uma grande tela azul do Windows, quem danado é Biu de Genaro?
— N-não, Macedo…
— Eu só vim lhe entregar o seu prêmio! — O homem falou com um sorriso resplandescente, quase batendo palminhas de tão animado.
— Prêmio? — Eduarda quase cuspiu a palavra e franziu tanto a testa que chega sentiu uma dor — Que prêmio?
— A senhora comprou três rifas para ajudar na construção da Capelinha de São Teodoro da Font-
— Peraí, peraí, PERAÍ, Macedo! — A ruiva bradou completamente indignada e gesticulando no ar, fazendo perigo de esganar o pescoço dele — Você veio na minha casa, nas minhas férias, no dia do chá-
— Eduarda, calma. — Lorena falou baixinho e apertou gentilmente a mão da esposa — Meu amor, que história é essa?
— Eu só vim revelar e lhe entregar o prêmio, doutora-
— Tá, tá, tá, pega logo o prêmio e me dá! — A ruiva falou completamente sem paciência, quase arrancando os próprios cabelos ruivos, o próprio pica-pau arrancando as penas e gritando “eu não aguento”. — Há uns dias atrás ele me ligou pedindo ajuda pra comprar uma rifa para construir uma capelinha no Cariri… — Eduarda falou num tom calmo para Lorena.
Eu comprava até um terreno no céu se ele parasse de me atormentar!
— Não sabia que você era religiosa, meu amor…
— Mas eu não sou — Eduarda se apressou em dizer — Enquanto eles estão lá no "livrai-nos de todo o mal", eu já "caí em tentação" faz tempo, meu amor!
— A senhora é uma mulher de muita sorte! Sério, fiquei impressionado, isso é coisa de quem tem o sangue bom! — Macedo falou com um sorriso largo nos lábios.
Será que ele é imune ao meu olhar mortal? Isso costuma funcionar com todo mundo!
Macedo então deu a volta no veículo e abriu a porta do banco traseiro do carro e os quatro patetas na calçada mal respiravam, ansiosos para saber o que era o tal prêmio.
— BÉÉÉÉÉÉÉÉ!
O homem então surgiu segurando um carneirinho preto com manchinhas brancas, um Dorper, com coleirinha e tudo no pescoço!
Eduarda fechou os olhos no mesmo instante, completamente incrédula, estática e imóvel. Pane no sistema, alguém me desconfigurou! E ouviu a gargalhada alta que Paulinho deu, seguida por Gerluce e até mesmo Lorena.
— BÉÉÉÉÉÉÉÉ! — o bicho berrou de novo, olhando fixamente nos olhos da ruiva.
— Macedo… pelo amor de Deus… — Ela falou, juntando as duas mãos na frente do rosto em formato de oração, como se pedisse forças ao Pai Celestial para não cometer um crime ali mesmo na calçada.
— E como a senhora comprou três rifas e é muito minha amiga, ainda comprei essa coleirinha charmosa aqui e um saquinho de ração! — Macedo falou feliz, alegre e contente, como se estivesse entregando as chaves de um carro zero quilômetro ou um apartamento.
— Ah, meu amor, que coisinha linda! — Lorena falou sorrindo já estendendo a mão para acariciar o cabritinho.
— O negócio agora é dar de comer, deixar ele bem gordinho e fazer um churrascão! — Paulinho falou sorrindo e o rabo de olho que recebeu de Eduarda só não foi maior do que o que recebeu da própria esposa, Gerluce.
— BÉÉÉÉÉÉÉÉ!
Lorena parou de acariciar o bicho na mesma hora e os olhos foram se enchendo de lágrimas. Eduarda passou a mão pelo rosto em completo desespero… Querendo deitar na calçada e comer os próprios punhos.
— Muito obrigada, Macedo! — A ruiva falou num tom forçadamente educado, não queria deixar a esposa ainda mais triste — Estamos dando uma festa aqui, se quiser ficar, comer alguma coisa pelo menos…
— Ah, que coisa boa! Mas preciso ir para a delegacia! O dever me espera e o prêmio da Sandra não vai ser entregue sozinho! — Ele falou animado.
— Gerluce, vai com o Paulinho lá dentro e prepara uma marmitinha pro Macedo levar pra delegacia, por favor! — Eduarda pediu docemente e os amigos obedeceram.
— T-tem outro bichinho dentro do carro? — Lorena perguntou com a voz embargada.
— Outro bichinho? Não! Que é isso, dona Lorena! — Ele falou, apressado, rindo só de imaginar — A Sandra se mobilizou com a família inteira, comprou vinte rifas de uma vez, mulher devota demais… Ganhou foi uma cuscuzeira peitinho de alumínio! — Ele falou sorrindo.
XXX
— Meu amor, ei…
— BÉÉÉÉÉÉÉÉ!
— E-eu tô bem, meu amor, é só que… Olha como ele é lindinho! — Lorena falou erguendo o bichinho.
— Ele é mesm-
— BÉÉÉÉÉÉÉÉ!
— Como eu ia dizendo, nós não vamos deixar nada de ruim acontecer com ele… — A ruiva falou e Lorena sorriu, e daí que meu tímpano vai estourar com todo esse barulho? E daí que não vou ter sanidade quando estiver dormindo e acordar com ele berrando? Minha mulher voltou a sorrir, consequentemente vou levantar e berrar com ele!
— Mães? — Catarina chamou — A Aninha me avisou que “ouviu a vó Duda berrando”, o que vocês… Aaaawwwnn, que coisinha tão fofa! — Catarina falou já passando a ponta dos dedos na cabeça do cabritinho.
— A Aninha avisou o que? — Eduarda perguntou incrédula ao passo que Lorena ria de virar a cabeça para trás.
— BÉÉÉÉÉÉÉÉ!
— Bom, a tia Mag quer começar as brincadeiras e a revelação! — Catarina falou e as três foram voltando para a festa.
— Amor, olha como ele se deitou lindinho no meu colo! — A morena falou e Eduarda não conseguiu conter o sorriso bobo, a cena era encantadora: Lorena estava linda, com um conjunto elegante listrado em tons pasteis e um cabritinho deitadinho nos braços.
— Ô vó a senhora deix- AAAWWNNN QUE LINDO! QUE COISINHA FOFA! Qual o nome dele? — Aninha berrou e o bicho berrou junto — De quem é? — A menina perguntou no momento exato em que Paulinho estava acompanhando Macedo para o lado de fora.
— Precisamos pensar num nome, Aninha! — Lorena falou sorrindo.
— É da sua avó! — Macedo se apressou em responder e Eduarda apenas respirou fundo, agora minha neta vai querer criar, pronto, era o que me faltava! Os dois se despediram brevemente e a ruiva riu quando ouviu a neta falando:
— Hum… Ele é branco e preto… O nome dele pode ser Frajola ou… Dálmata!
— Meninas, licença! — Danusa, a namorada de Leonardo, interrompeu o grupo — Onde fica o banheiro? Essa fase da gestação… É como se o bebê empurrasse minha bexiga! — A mulher falou sorrindo.
Lorena e Eduarda trocaram um olhar cheio de interrogações. Bebê? O Leonardo é vasectomizado! A ruiva fez questão de encarar a barriga da loira, procurando qualquer volume, mas não achou nada anormal.
A morena foi a primeira a lembrar como formular as palavras e falar, deu as instruções e assistiram a mulher se afastando.
— BÉÉÉÉÉÉÉÉ!
— M-meu amor… que revelação foi essa?
— O espermatozoide dele é do atletismo, amor! — Eduarda falou — Pulou o bloqueio e achou o caminho!
Lorena riu e as duas seguiram caminhando juntas.
XXX
O clima continuou gostoso, tomado pelas brincadeiras animadas que Mag preparou com carinho. O ponto alto e hilário, foi o teste de habilidades, onde os futuros papais precisavam trocar a fralda de um ursinho de pelúcia com os olhos vendados, performance na qual Breno, para a surpresa de zero pessoas, quase prendeu a fralda no próprio braço. Lorena fez questão de deixar a ruiva longe de qualquer competição.
Naquele dia em específico, Eduarda não reclamou. Aproveitou a oportunidade para ficar perto do pai, da filha e dos amigos.
— Eu sempre soube que você ia ser fazendeira em algum momento! — Henrique falou quando viu a filha e a nora se aproximando com o animalzinho, que seguia berrando vez ou outra e fez a alegria da criançada.
Henrique seguiu brincando com os bisnetos, primeiro sendo o boneco de Aninha, fazendo todas as suas vontade igual fazia com Eduarda quando era menor e depois, o biso que faz cafuné na cabecinha de Antônio, que aproveitava mole, ao passo que o avô, ria e comentava da rotina de aulas, de trabalho… Lorena seguia achando o sogro a coisa mais fofa do mundo, todo engomadinho, bem vestido e bem articulado.
A ruiva se deliciou quando pôde dançar com a esposa, com o pai e com a filha.
— Sabe que eu passaria a noite inteira assim? — Eduarda falou enquanto as duas seguiam num dois pra lá, dois pra cá preguiçoso.
— Eu também, meu amor! — Lorena falou puxando a ruiva para mais perto — Olha que lindo a Aninha e o Tunico dançando!
Era aterrorizante e parecia mais uma briga por espaço, mas ainda assim, era lindinho!
— Pessoal, sei que tá todo mundo empoplgado com a pista de dança, o Bagdá e a Lucélia já tiraram até os sapatos e o Vandilson perdeu completamente a linha! — Breno falou sorrindo e a voz grave ecoou — Mas precisamos descobrir logo o sexo do bebê, tô ansioso!
— Ele falou e todos riram.
— Isso é verdade! — Mag falou saindo de perto de Leonardo e da namorada, se aproximando — Gostaria de chamar o nosso querido Henrique Fragoso, que será o grande responsável por revelar o sexo do bebê!
Catarina logo se adiantou em acompanhar o biso até o centro da decoração e Breno logo apertou a mão de Henrique.
— Antes da grande revelação, queria só agradecer a todos pela presença — Catarina falou sorrindo, a mão pousada sobre a barriguinha saliente — É maravilhoso poder reunir tantas pessoas que querem o nosso bem!
— Exatamente, minha pequena! — Breno falou sorrindo largo — Antes de a gente saber… Breno falou e todo mundo soltou um “aaaah” em coro
— É rápido! Queria só dizer que conversei previamente com a KitCat e como todo mundo sabe, eu não tenho mais meus pais aqui… Eles se foram há algum tempo e eu sinto que fui sendo criado pelas pessoas que me rodearam. — Breno falou com a voz embargada e nessas alturas, com toda certeza do mundo, Eduarda já estava chorando no abraço da esposa — Isso significa que eu sou imensamente grato pela vida de todos aqui, principalmente a da minha esposa linda… Mas também das minhas sogras e do senhor Henrique, aqui! — O jovem falou dando duas batidinhas no ombro do desembargador — Então, como forma de homenagear vocês, decidimos que se for menino, vai ser Henrique e se for menina, Lorena Eduarda. — O homem falou sorrindo em meio às lágrimas.
Quem poderia imaginar que esse filhote de Cruz Credo falaria essas coisas tão lindas?
— Que lindo, meu amor! — Eduarda berrou num pranto aberto, abraçada a esposa — É o melhor genro que já tive em toda minha vida!
MEU DEUS, O QUE FOI QUE EU ACABEI DE FALAR? AH MAS TAMBÉM FOI TUDO LINDO DEMAIS ESTOU COMPLETAMENTE BAITOLA POR ELE! LORENA EDUARDA OU HENRIQUE, VOVÓ JÁ TE AMA MUITO!
— Nossa, eu tô toda arrepiada! — Lorena falou chorando.
As duas foram caminhando até o centro de toda comoção e depois de muitos abraços emotivos e respiradas profundas, entre os adultos, o biso, os netos…
— Bom, gostaria de dizer que é uma honra ser o portador desta notícia maravilhosa e que tenho uma outra revelação para fazer depois, não me deixem esquecer! — Henrique falou secando as lágrimas e respirando fundo — Vamos ver! — Ele falou abrindo o envelope que Maggye lhe entregou.
Por um breve instante, Eduarda quis pular no pai, pegar o envelope de uma vez e picotar ele inteiro, completamente impaciente. O mundo ao redor estava congelado e o ar suspenso, todos eram uma grande massaroca de expectativa e ansiedade.
— Tananan tananan… — Henrique cantarolava, fazendo suspense.
— BÉÉÉÉÉÉÉÉ!
— Lorena Eduarda! — Henrique falou chorando de novo e aí a comoção foi generalizada.
— As nossas três graças! — Eduarda falava entre soluços, parecendo uma criança pequena desolada de alegria.
Breno cuidou em abraçar e beijar a esposa, com todo o cuidado e zelo do mundo, em seguida, erguendo os dois filhos no braço enquanto enchiam as crianças de beijos, Eduarda e Lorena soluçavam de tanto chorar, Gerluce abanava Paulinho com um guardanapo, ele suspirava com o nariz vermelho, quase desmaiado de emoção, Leonardo emocionadíssimo com a namorada. Os amigos se levantaram e parecia final das eleições, com Lula eleito no primeiro turno, a estrela brilhando novamente, lindo!
E assim que cessou um pouco mais a euforia…
— Seu Henrique, o senhor disse que tinha uma segunda revelação a fazer! — Maggye falou sorridente.
— Ah, sim! — Ele falou dando uma batidinha na lateral da cabeça — Tinha esquecido!
— Fala, pai! — Eduarda incentivou, sorrindo e enxugando as lágrimas das bochechas.
— Meus amores, não entrem em pânico… Mas as crianças estão infestadas de piolhos! — Ele falou sorrindo e coçando levemente a cabeça.
— BÉÉÉÉÉÉÉÉ!
XXX
A morena já tinha se encarregado de organizar com Breno e o restante do pessoal onde cada coisa ficaria, para facilitar o trabalho do pessoal na hora de recolher tudo que foi alugado no dia seguinte.
— Meu amor, pelo amor de Deus, do que é que você tanto ri olhando para esse celular? — Lorena perguntou já encabulada da sala, se for mulher…
A festa tinha sido um sucesso, com revelações até demais, mas todos saíram completamente felizes e ainda teve a excursão até a farmácia, onde cada um escolheu seu combo para tratar das lêndeas.
— Eu vou querer um par de capacetes novos, Eduarda! — Paulinho berrou assim que parou o carro ao lado delas no sinal.
Lorena amou tudo, pois foi de moto coladinha com Eduarda e na volta, pôde se banquetear da esposa enquanto ela pilotava e reclamava que iria bater a moto se Lorena continuasse apalpando seu peito por baixo da blusa.
Ai, ai… Essas esposas que não aguentam uma provocaçãozinha…
E desde que pararam e tomaram banho, que Eduarda gargalhava olhando para a tela do celular e o que mais irritava Lorena era o fato de ela rir muito, depois parar de mexer no celular e continuar rindo. Tá rindo tanto de que?
— Ai, ai minha barriguinha! — A ruiva falava soltando lufadas de ar — Meu amor, vem aqui ver uma coisa! — A ruiva chamou batendo gentilmente na cama.
Lorena se aproximou toda desconfiada, de braços cruzados, e Eduarda entregou o telefone em suas mãos.
Era uma gravação da câmera de segurança da casa delas, naquele mesmo dia às dez e treze da manhã. Lorena permaneceu encarando a tela sem entender nada, até que…
— Agora, agora! — A ruiva falou engasgando de rir e Lorena se concentrou ainda mais no vídeo.
Breno vinha caminhando com uma caixa e do nada, esqueceu do batentinho da sala, sua perna direita atingindo graus completamente incompatíveis com o normal humano e ele estatelado no chão.
— Agora espera… — Eduarda falou adiantando o vídeo e Lorena não conteve a risada ao ver a careta que ele estava fazendo, ao passo que Eduarda rolava na cama de tanto rir.
As duas assistiram o vídeo pelo menos mais umas cinco vezes e riram em todas elas, ao ponto de ficarem completamente sem ar.
— Meu Deus, amor, para de imitar ele, por favor! — Lorena pediu tossindo.
— Parei, parei, parei! — A ruiva falou respirando e buscando fôlego.
— Tô incrédula!
As duas continuaram ali deitadas, recuperando o resto do fôlego, até que a voz do anjo sussurrou um detalhe muito importante no ouvido de Eduarda.
— Teve um dia tão estressante, né, meu amor? — A ruiva perguntou com a voz mansa.
— Estressante…? — Lorena então encarou a esposa, pronta para dizer que o dia foi maravilhoso, mas viu a maldade no olhar ali e entendeu tudo — Muito, meu amor! Dia exaustivo demais… tudo tenso aqui, ó — A morena falou tocando no trapézio.
— Ah, é? — Eduarda perguntou tentando manter a seriedade enquanto Lorena já deitava de bruços, levantando a barra da camisa.
— Você acha que assim fica bom pra você trabalhar ou…
— Assim tá perfeito pra eu iniciar os trabalhos, meu amor! — Eduarda falou com um sorriso canalha e distribuindo uma sequência de beijos nas costas da esposa, que sorria boba.
— BÉÉÉÉÉÉÉÉ! — O cabrito berrou de algum lugar no jardim da casa.
— Viu, até ele concordou!
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