Capítulo 1
Sessenta anos da ruivinha
Assim que o despertador tocou e a morena finalmente acordou, desligou o alarme, virou de lado e encarou a primeira missão daquela manhã se deleitando: acordar sua esposa.
Era fascinante perceber que a ruiva dormia do mesmo jeito todas as noites e pouco se mexia, seguia curvadinha na cama, envolta pelo abraço protetor de Lorena, quando a morena cooperava para que isso fosse possível, já que se mexia muito.
Lorena então deslizou a mão por baixo da coberta, pousando na coxa forte da esposa e ali, iniciou um carinho lento, que veio subindo pelos quadris, pelo braço até chegar no ombro e iniciou uma sequência de beijos lentos e ternos na região, sorriu ao perceber a esposa se aproximando mais.
— Nós temos uma tradição a cumprir e eu não posso permitir que a gente se atrase! — A morena falou e sorriu tranquilamente entre os beijos.
Eduarda se virou, enterrando a cabeça no pescoço de Lorena e respirando ali, enviando arrepios por todo o corpo da mulher. Lorena a puxou para mais perto, enfiando as mãos por debaixo da regata branca que a ruiva usava, desenhando um carinho na lombar da ruiva e subindo aos poucos as mãos.
A ruiva emitiu um ruído sonolento e se aproximou mais, passando o nariz pelo queixo da esposa, que sorriu. Os carinhos continuavam e Eduarda começou a explorar o corpo de sua mulher também, com uma descida lenta: um carinho na orelha com a ponta dos dedos, depois uma trilha de beijos pelo pescoço, uma apalpada sútil no peito da morena, que nessas alturas já estava com a mão descendo pela barra do pijama… Como de costume, as coisas evoluíram rápido:
— Lorena — Eduarda falou com dificuldade, apertando ainda mais os fios castanhos.
A língua da morena seguia trabalhando implacável, com lambidas certeiras, precisas e vez ou outra, a morena fazia uma sucção no nervo inchado, alternava entre deslizar a língua ali e esfregar o polegar.
— Caralho…
Todo aquele visual era paradisíaco e tudo ali excitava ainda mais Lorena. Eduarda Ferette Fragoso, a sua Duda, pra sempre, desde que firmaram o contrato no casamento, sentada ali, em sua boca, gemendo manhosa e rebolando os quadris na língua de Lorena, que trabalhava com maestria.
O cabelo recém cortado um pouco abaixo do queixo era um grande emaranhado ruivo com alguns fios mais claros, os olhos lutavam tentando se manter abertos, mas fechavam conforme as ondas de prazer vinham mais fortes, a respiração ofegante, as gotas de suor, as bochechas coradas, os seios arrebitados, a barriga perfeita, as coxas grossas, o cheiro, o gosto, o gozo.
— Amor, eu vou…
A morena intensificou ainda mais os movimentos com a língua e fez questão de apertar as nádegas, guiando o movimento. O corpo da ruiva tremeu de forma involuntária e Lorena continuou ali, chupando, sugando, lambendo todo aquele orgasmo.
Lorena se sentia campeã, a mulher mais orgulhosa do mundo, uma das mais felizes e com certeza, uma das mais sortudas, pelo simples fato de ter feito sua esposa gozar.
Tem sido assim desde que se conheceram e a morena tinha certeza de que se perpetuaria enquanto elas estivessem vivas e torcia muito para que se existissem outras formas de vida depois dessa, pudesse exercer aquela função com Eduarda novamente.
Por mais um ano, a tradição estava intacta! Todo aniversário tinha que começar com sexo!
— Feliz aniversário, meu amor. — Lorena falou com o rosto quase todo sujo, distribuindo beijos na virilha e na parte interna da coxa de Eduarda, que ainda tremia ofegante.
— Eu realmente estou mais feliz agora… quase esqueci dos meus sessenta anos! — A ruiva falou deslizando os dedos por entre os fios úmidos de suor.
Eduarda retirou uma perna dali e com agilidade, Lorena a puxou para perto. Aninhando a aniversariante nos braços e o encaixe da cabeça de uma com a curva do pescoço da outra era perfeito.
Tudo ali era casa, conforto e companheirismo, uma vida inteira juntas. Vinte e cinco anos de casadas e Lorena ainda sentia vontade de derreter enquanto a esposa deslizava os dedos por seus ombros e silenciosamente, com um olhar, perguntava se estava tudo bem.
— Como você se sente estando casada com uma idosa? — Eduarda perguntou e a diferença de idade entre elas nunca foi um problema.
— Eu me sinto maravilhosa e não consigo pedir mais nada ao universo, nada além do que já me foi dado, por isso, vou manter o mesmo pedido dos últimos anos: você com saúde para poder cuidar de mim. — Lorena falou com os olhos marejados.
Eduarda prontamente a beijou e as lágrimas de ambas acabaram se misturando. A ruiva sorriu e deslizou os dedos por entre os fios grisalhos da esposa e até isso deixava Eduarda intrigada! Lorena tinha praticamente duas mechas grisalhas e os fios tinham um caimento perfeito, o que a deixava com um ar de vampira sexy.
A ruiva seguiu ali, admirando cada detalhe daquele rosto que conhecia tão bem quanto a palma de sua mão e mesmo com o passar dos anos, Lorena ainda era a mulher mais exuberante que Eduarda tinha visto. Ela era como o mais delicioso vinho.
Os olhos verdes agora tinham um ar de maturidade, de onça que bebe água despreocupada na beira do rio, os lábios permaneciam carnudos, as covinhas um pouco mais marcadas a pele seguia macia como carne de caju e o desejo entre elas era como a necessidade de respirar.
— Eu amo você mais que tudo, meu amor… é um privilégio ter você cada dia mais linda na minha vida. — A ruiva falou sorrindo e depositou um beijo terno no queixo da morena — Agora, preciso começar um serviço — A ruiva falou beijando as pontas dos dedos de Lorena e depois o Vale entre os seios.
— Ah, é? Que serviço? — Lorena perguntou já sabendo de que se tratava.
— Te dar um banho de gato!
Assim que a farra no colchão acabou, Lorena fez questão de colocar o ar condicionado na menor temperatura possível, sabia do calor da menopausa da esposa e que não teria como aproveitar os minutos extra de dengo com ela derretendo. Saíram da cama e foram direto para o banheiro, aquele espelho enorme era um dos favoritos de Eduarda. A ruiva aproveitou para se encarar.
Os fios ruivos agora passavam pela transição e estavam em sua versão grisalha, em tons de loiro e laranja mais claro, ótimo, estou desbotando! Haviam algumas rugas permanentes ali na testa e no canto dos olhos, mas ela se recusava a fazer qualquer tipo de procedimento estético que retardasse seu envelhecimento e a pele tinha uma quantidade de sardas muito maior do que se lembrava.
Fisicamente a ruiva se sentia bem: seguia treinando rigorosamente e os músculos definidos eram a prova disso, dormindo melhor, crochetando mais, se alimentando bem e graças a Deus que ainda seguia mamando!
Lorena parou e pousou o queixo no ombro da mais baixa e sorriu com a visão.
— Eu sou a mulher mais feliz e sortuda do universo!
— Não mais que eu! — A ruiva falou e se virou beijando o rosto da esposa.
O banho em dupla já era o cotidiano, assim como Eduarda secando a esposa e literalmente sentando para assistir Lorena Ferette Fragoso escolher uma roupa para ir trabalhar. Hum… hoje ela escolheu uma blusa preta com esse detalhe no decote e um conjunto de saia e terninho xadrez… delícia da minha vida!
— EPA EPA EPA, essa parte eu faço! — A ruiva falou tomando o hidratante das mãos da esposa, que não conteve a risada.
O café da manhã foi outro deleite e as duas trabalhavam bem demais em dupla: Eduarda mexia os ovos, Lorena colocava as cápsulas na cafeteira e tomava conta das torradas, a ruiva cortava as frutas…
— Feliz aniversário! — Lorena falou surgindo com um cupcake branco e uma única vela rosinha, Eduarda sorriu ao mordê-lo e ofereceu a outra metade à esposa.
Por volta das sete e quinze da manhã, recebeu uma ligação do pai e claro que ambos choraram.
— Feliz aniversário, meu bebê! Estou te ligando só para dizer novamente que você é a melhor parte da minha vida, minha filha… Eu sou um homem e um ser humano melhor pela sua existência! Esses dias a Lorena me mandou uma foto sua dormindo e eu reparei que você continua a cópia exata da sua mãe — O homem falou e Eduarda secou silenciosamente as lágrimas que escorriam. Violeta Fragoso havia partido há três anos, mas ninguém tinha superado ainda — E isso me deixou muito feliz! Ver que você herdou todos os genes da beleza dela-
— Mas eu sou chorona igual ao senhor! — Eduarda falou num fio de voz e ouviu a gargalhada misturada com choro do pai, do outro lado da linha.
— É, meu amor… mas aproveite o seu dia! Seu velho aqui segue te amando muito, mais que tudo, Juca! — Ele falou e fungou.
Desde a partida repentina da esposa, o desembargador Henrique Fragoso estava ainda mais empenhado em seu trabalho e agora, focado em dar aulas, mas os dois se falavam diariamente e se viam quase todos os finais de semana.
— Semana que vem nós vamos pescar! — A ruiva falou e ouviu o pai gargalhar de novo. Os Fragoso eram o terror da pescaria, não calavam a matraca por um minuto e eram oficialmente os espantadores de peixe.
— Pode colocar meu nome na lista! — Henrique falou.
Lorena assistia a cena sentada no colo da esposa, limpando as lágrimas do próprio rosto também e assim que o sogro desligou, cuidou logo em atualizar sua mulher.
— A Catarina falou que vão vir jantar por aqui, hoje — Lorena falou sorrindo.
“Vão vir” significa que a minha filhota vem, meus netos e o Breno, o genro. Como é que a Catarina com dois genes completamente homossexuais conseguiu realizar a proeza de se casar com um homem? Dentro da minha própria casa? E não que a ruiva não gostasse dele, pelo contrário… era só… A Catarina era tanta coisa: doutora em ciências políticas, inteligente, competente, linda, talentosa, apaixonante e o Breno… bom, ele era engraçado, só a Catarina acha, mas enfim…
— Vamos ligar pedindo o bolo de cenoura favorito da Ana e do Antônio! — Eduarda falou sorrindo de canto a canto — Aquele com camada extra de chocolate!
— Deve ser tão divertido ser a avó legal, né? — Lorena perguntou semicerrando os olhos.
— Eu tinha que ficar com alguma coisa… Você já é a inteligente que cria história para eles, a mais bonita, a mais charmosa e a que tem o sorriso mais lindo do mundo. — Eduarda falou beijando o queixo de Lorena, que foi derretendo.
— Hum, você… para com isso — A morena falou sorrindo e girando ainda mais o pescoço para que a ruiva tivesse ainda mais acesso.
— Ainda é cedo… você tá com pressa para ir trabalhar? — A ruiva perguntou enterrando os dedos nos fios castanhos. — Tenho certeza que os seus alunos iriam aproveitar muito bem uns vinte minutos de atraso — A ruiva falou puxando a esposa pelo pescoço — A gente bota a culpa no trânsito, ele é sempre terrível…
— Delegada… Tenha um pouco mais de respeito pela educação! Lembre que nós dormimos na mesma cama e que hoje a noite eu vou estar usando uma coisinha que comprei para você!
Eduarda sentiu o corpo inteiro ferver e dessa vez, não eram os fogachos da menopausa… XXX
— Lá pelas duas eu volto para te buscar! — Lorena falou.
Se despediram no carro, com um beijo que deixou a ruiva com vontade de tirar a roupa, Lorena faz isso só pra me provocar, não é possível! E Lorena riu ao ver a esposa se afastar com a bolsinha, a lancheirinha da marmita!
— Bom dia, doutora.
— Bom dia, Macedo.
— A senhora já soube? — Macedo perguntou e Eduarda o encarou sem muita paciência. Eu acabei de chegar, você me viu chegando, como é que eu vou saber de alguma coisa?
— De que, Macedo?
— Da novidade — Ele falou e ficou parado encarando a delegada.
Eduarda tinha uma fama…. Digamos…. Bom, digamos que ela não era a pessoa mais paciente do mundo e com o policial novato, o caso era ainda pior. O homem era tapado demais e aquilo dava nos nervos dela.
— Que novidade?
— O Fabrício do T.I. Colocou prótese capilar, doutora! — O homem falou e Eduarda sentiu um desejo primata de pular o birô e estapear a cabeça dele.
— Ótimo! — A ruiva respondeu ríspida.
— E tem mais! — Ele falou erguendo o dedo — Agora ele é loiro!
Eduarda passou as mãos pelo rosto tentando buscar algum resquício de sanidade.
— Macedo, vai buscar um café pra mim, anda. — Eduarda falou apressada, era aquilo ou avançar nele e arrancar todos os cabelos daquela cabeça.
— A-a senhora quer com açúcar ou sem?
— Sem!
— Mas vai ficar muito amargo, nã-
— Deixa pra lá, Macedo! — Ela falou fechando as mãos em punho — Só sai da minha frente, anda!
A ruiva falou e finalmente soltou o ar dos pulmões, encarou sua mesa e haviam duas pilhas de processos para dar andamento, ela só voltou a sorrir quando colocou a senha no computador e encarou o mosaico de fotos de plano de fundo.
Ela e Lorena na Espanha há alguns anos atrás, elas na praia e no Chile, Henrique e Violeta sentados e Eduarda fazendo careta perto quando ainda era adolescente, ela, Paulinho e o finado delegado Jairo…
Quando se deu conta, já estava chorando e nada parecia mais ser como era antes, nem mesmo ali, em seu trabalho. Naquele exato instante, foi arrancada de seu transe.
— Alô — A ruiva falou tentando limpar as lágrimas.
— Feliz aniversário, Juquinha! — Paulinho falou do outro lado da linha.
Passaram bons minutos conversando e a ruiva até se sentiu mais leve depois que desligaram, definitivamente, ele ainda era o seu melhor amigo, o mesmo chato de sempre! Paulinho tinha se aposentado há algum tempo, estava longe da atividade e agora era um avô simpático, com barriguinha de chopp e uma cabeleira grisalha de dar inveja.
Depois do almoço, a delegacia inteira se reuniu para cantar parabéns para a delegada e foi um momento bacana, regado a bolo e café! Apesar da falta de paciência e do gosto excessivo pelo trabalho, todos ali gostavam muito da figura ruiva.
— Tá velhinha né, Delegada? — Macedo falou e a ruiva o fuzilou com o olhar.
XXX
Lorena conhecia muito bem a mulher que tinha e sabia que alguns minutos antes do horário marcado, ela ligaria para avisar alguma coisa e estava contando com isso. Tinha passado boa parte do dia mandando mensagens de parabéns para Eduarda e gargalhou ao enviar o link da música de Sérgio Reis - Panela velha.
— Você não acha que ela vai desconfiar? — Maggye perguntou enquanto empurrava o carrinho do supermercado.
— Ela me mandou algumas fotos do bolinho que levaram para a delegacia há uns vinte minutos atrás, o que significa que ela ficou sem trabalhar por algum tempo… em resumo, temos pelo menos mais uma hora livres. Você quer me dar o carrinho pra eu empurrar?
— Não, tá tranquilo!
— Tem certeza? — Lorena se certificou em perguntar, já que a amiga tinha feito um procedimento cirúrgico há uns dois meses atrás.
— Tenho sim! Quando for mais tarde, te mostro o resultado. — A amiga falou sorrindo e Lorena sorriu de volta.
Maggye era amiga de Lorena há bastante tempo, desde a escola. Cresceram juntas, Mag acompanhou toda a trajetória da vida de Lorena e vice-versa. As duas estavam com cinquenta e cinco anos, se formaram juntas, casaram em datas próximas e até a diferença de idade entre os filhos, Catarina e Benício era de apenas oito meses.
Sem dúvidas, a amiga era uma das pessoas que Lorena mais amava na vida, mas de forma alguma concordava com o tanto de procedimentos estéticos que ela vinha fazendo nos últimos meses, principalmente ao descobrir que a razão de tudo aquilo era para agradar o marido.
Estavam no corredor das bebidas, quando o celular de Lorena tocou. Ela sorriu satisfeita mostrando o visor com “meu amor” escrito.
— Oi, meu amor… tá pronta? — Lorena perguntou e em seguida gargalhou — Ele passou a tarde te chamando assim? Meu Deus… Tenha um pouquinho mais de paciência, meu bem… Sim, mas é que você estava totalmente acostumada com o ritmo do Paulinho e agora, precisa lidar com o novato… Ah, entendi, entendi… Tudo bem, então. Te espero em casa! Te amo muito também, beijo.
— Você é meio vidente, né! — Mag falou cortando as cervejas, os sucos e os refrigerantes da lista de compras.
— Minha mulher é viciada em trabalhar, é previsível demais!
XXX
Os finais de expediente agora eram ainda menos encantadores, já não havia mais aquela ânsia de dizer que queria ir embora e entrar numa disputa com Paulinho para saber quem estava querendo mais ir pra casa ou até mesmo pra saber qual das mulheres chegaria primeiro para buscá-los, se Lorena ou Gerluce.
Os barzinhos depois do expediente… que saudade! As idas na padaria da rua de trás só pra tomar um café e respirar depois do dia cansativos…
A delegada organizou sua mesa, mandou uma mensagem para a esposa avisando que iria demorar um pouco mais para voltar e perguntando se ela estava precisando de alguma coisa e saiu caminhando pela rua com a bolsinha da marmita que Lorena havia preparado. Havia recebido várias mensagens durante o dia e realmente, sessenta anos… quanta sorte! Pais amorosos, uma esposa excepcional, um casamento maravilhoso, uma filha e dois netos, alguns amigos, poucos, mas bons! Uma vida inteira de realizações, amor, sonhos realizados, trabalho, saúde… E agora, algumas faltas: a mãe, o delegado Jairo…
A falta daquelas figuras naquela data era avassaladora demais e por isso, a ruiva se permitiu chorar um pouquinho até chegar na padaria. Segurou a porta para uma moça passar com duas crianças, cumprimentou os funcionários com um boa tarde educado e pediu o de sempre: café e bolo formigueiro.
Lembrou da última vez que esteve ali com Paulinho e o delegado, claro que o velhote estava super feliz com a merecida aposentadoria, os três rindo com alguma bobeira, lágrimas quentes rolavam pelas bochechas da ruiva e lembrou da mãe de novo, do tanto que ela amava aquele tipo de ambiente e que aos domingos, quando acordavam cedo, iam a uma padaria na Barra.
Terminou o café e acabou de comer o bolo, se dirigiu ao caixa, pagou a conta e pediu um carro de aplicativo.
XXX
— Paulinho, pelo amor de Deus, se você cair daí — Lorena falou levemente preocupada — Vai machucar o chão e a gente vai ter que chamar um guindaste pra te levantar!
— Eu só não sou maior do que esse seu bocão, né! Olha aqui que coisa linda que eu fiz! — Ele falou apontando para os balões pendurados.
Lorena e Paulinho agiam como irmãos e implicavam em toda e qualquer oportunidade.
— Incrível que eles vão ficando mais insuportáveis com o passar do tempo, né? — Gerluce comentou com Maggye, que apenas gargalhou em resposta, apontando para a careta que ele fazia para Lorena.
— Amei! Convidei um amigo da minha mulher pro aniversário surpresa dela e ganhamos um show de horrores de graça! — a morena falou rindo e ele acabou rindo também.
— Vó, cadê a vó Duda? — Ana perguntou esfregando um dos olhos.
— Ela já tá chegando, meu amor! Você terminou o seu desenho lindo para entregar a ela?
— Lorena perguntou colocando a menina nos braços.
— Acabei sim, está na mesa e o Tunico também tá quase acabando o dele. Tá horrível! — A menina falou pousando a cabeça no ombro da avó, que depositou um beijo nos cabelos castanhos enquanto ria silenciosamente.
Lorena encarou a cena toda e sorriu: estavam ali as pessoas que as duas mais amavam, claro que haviam alguns desfalques importantes, mas é da vida. Quando o portão de fora abriu, todos correram para trás da mesa da área externa, Catarina apagou a luz e se muniu do lança-confete.
— Meu amor? Cheguei! — Eduarda falou caminhando pelo jardim. — Você já tá usando o presente que comprou só para mim? — A ruiva perguntou sorrindo ansiosa, parecia uma criança em véspera de natal.
Lorena sentiu as bochechas corando na mesma hora e apenas enterrou o rosto no pescoço do neto que estava em seus braços e ela sentiu apenas uma cutucada nas costelas e sabia que havia sido Paulinho.
Assim que passou pela porta de vidro e acendeu a luz…
PÁ!
Confetes dourados se espalharam pelo ar.
— Susto da porra! — A ruiva falou com a mão no peito e foi logo engolida no abraço da filha.
— Feliz aniversário, mãe! — Catarina falou e em seguida, distribuiu uma sequência de beijos pelo rosto já molhado de Eduarda. — Te amo muito!
— Também te amo, meu amor! Demais!
— Vó, a senhora falou palavrão! — Ana berrou agarrada nas pernas da avó.
— Foi uma coisa horrível, você perdoa a vó? Foi o susto! — A ruiva falou suspendendo a menina, que já gargalhava e dando um abraço bem apertado rodopiante.
— Eu tava morrendo de saudade! — Ana falou e Eduarda derreteu.
— Eu também, meu amor!
— Feliz aniversário, sogrinha! — Breno falou com os braços abertos e a ruiva o abraçou, com a neta ali no meio, mas no momento exato, os olhares dela e de Lorena se encontraram e a morena gargalhou.
O desgraçado vem na minha casa com a camisa desse time horroroso… Pelo amor de Deus! Eu mereço!
— Obrigada, Breno! Segura a Ana aqui pra mim, por favor…
— Feliz aniversário, Comadre! — Maggye falou se aproximando e agarrando a ruiva, que sentiu uma coisa estranha… dura demais no abraço.
— Obrigada, Comadre! Cadê o Júnior? E o meu afilhado?
— O Júnior tá terminando de fechar a loja e daqui a pouco chega! O Benício tá com a Sandra, mandou vários beijos e disse que sábado vem pra pescaria! — Mag respondeu.
— A Lorena tá te botando pra dormir no formol, não é possível! — Gerluce falou rindo e Eduarda a puxou para um abraço — O cabelo novo ficou um arraso!
— Olha quem fala! Que saudade que eu tava! Parece até que a gente mora em outra cidade! Cadê a Joélly?
— Pode culpabilizar o seu amigo, ele só quer saber de viver no campo, agora! A Jô tá de plantão, mas já deu o nome para a pescaria sábado! — Gerluce falou e num instante, Paulinho estava ali de pé, assim como Lorena.
— Feliz aniversário, coisa chata! — Ele falou abraçando Eduarda e tirando a ruiva do chão.
— A gente tem tanta coisa pra conversar! — Ela falou encarando Paulinho e enlaçando a cintura da esposa — Oi, meu amor! — Falou baixinho e sorriu quando Lorena inclinou o rosto para um beijo rápido — E o gordinho da vovó.
— Oi, minha vida… Dormiu! — Lorena falou e Eduarda aproveitou para cheirar a cabecinha do neto, é o melhor cheiro do mundo!
— Você pensou em tudo mesmo, né? — Eduarda perguntou completamente boba — Nem pra me contar nada…
— Vocês são uma melação enorme! — Paulinho falou se afastando com Gerluce — Duda, depois preciso falar com você!
— A Juquinha simplesmente esqueceu o conceito de festa surpresa! — Gerluce falou mais alto.
— Não é todo dia que a minha esposa linda e perfeita faz aniversário… Comprei o bolo de cenoura dos meninos, o Paulinho se prontificou de assumir a churrasqueira, também encomendei o seu bolo favorito de chocolate meio amargo e café, os docinhos, os salgados… Deixa eu ver se eu tô esquecendo de algo… Ah, também tem cerveja gelada e vinho!
— Eu não sei nem o que dizer… — Eduarda falou sorrindo boba e surpresa com toda a organização do evento — E nem como agradecer-
— Ah, mas isso eu sei! — Lorena falou de forma maliciosa e mordeu o lábio inferior tentando conter um sorriso safado.
— Ô casal vinte, desgruda um pouquinho aí e Lorena, me ajuda aqui, anda! — Paulinho falou e Lorena revirou os olhos, passando o neto para os braços da outra avó, que prontamente o aninhou.
A noite seguiu animada, Eduarda logo se encarregou de colocar sua playlist e era completamente revigorante estar na presença de tantas pessoas tão queridas. De repente era como se todos tivessem vinte e poucos anos de novo, em mais um encontro rotineiro durante a semana.
— Agora que o Tunico acordou, nós queremos te mostrar o nosso presente, vó! — Ana falou rebocando a avó e o irmão pelos braços até a mesa de centro da sala.
Eduarda encarou os dois desenhos e sem dúvida, foram as coisas mais feias e desconexas que ela viu naquela semana.
— Que lindo, meu amor! A vovó amou! — Ela respondeu abraçando os dois.
— Você ficou a cara do boneco Chuck! — Lorena sussurrou rindo.
XXX
— Breno, toma conta aqui por um segundinho? Preciso bater um papo sério com a Juca!
— Claro, Paulinho!
O ex-policial saiu a procura da cabeça de fósforos da casa e claro, encontrou ela sentada no sofá da área externa no colo de Lorena, numa conversa animada com o restante das meninas.
— E a gente pode ver pra levar o colchão inflável também! — Catarina falou animada.
— Filha, da última vez a sua mãe quase morreu ali…
— Não, mas a Eduarda também não sabe ter moderação nas coisas, né? As ondas vindo na maior força e ela com o colchão a todo vapor!
— Pelo amor de Deus, claro que eu sei ter moderação, mas vocês são muito moles!
— Ihhh, acho melhor ponderar! Sessenta anos nas costas, fia, vai que Iemanjá quer levar de oferenda? — Mag falou e todas riram.
— Juca, preciso falar com você um segundinho. — Paulinho falou e antes que a ruiva fizesse alguma piadinha, viu a cara desesperada do amigo e acabou levantando.
— Eu já volto! — Ela falou e depositou um selinho rápido em Lorena — E filha, estou cem por cento com você! Vamos levar o colchão sim!
Paulinho seguiu pela casa familiar e Eduarda foi atrás. A ruiva começou a achar aquilo tudo meio estranho, principalmente quando eles entraram no quarto dela e de Lorena e ele fechou a porta de chave. Parecia meio nervoso, bebeu o resto da cerveja num gole só e colocou o vidro verde no chão, perto da cama.
Seguia caminhando pelo quarto e parecia estar numa batalha interna, mas contra o que?
— Ok, você está me assustando! — A ruiva falou dando um gole em sua cerveja — Desembucha, Paulinho!
— Ehhh — Ele coçou os fios grisalhos — É-é que eu fiz uma c-coisa com a Gerluce…
Eduarda levantou da cama num pulo e quando viu, já estava com a mão na gola da polo preta que o amigo usava.
— Paulinho, se você traiu a Gerluce-
— TRAIR? O QUÊ?! N–n-não — Ele falou apressado — Você tá maluca? — Ele falou soltando a mão dela da gola da camisa e arrumando a peça.
Ela seguia encarando ele com olhos fulminantes e desconfiados.
— E o que foi que você fez com ela? Fala logo!
— É que eu tô… — Ele começou a frase e começou a olhar para cima, tentando buscar palavras ou uma intervenção divina — Olha só, Duda… Chega uma época na vida de t-todo homem, q-que as coisas são m-mais complicadas — Ele falou coçando a barba.
Eduarda encarava o amigo de longa data e de repente, percebeu tudo num estalo.
— Peraê, peraê, peraê… Você brochou? — A ruiva perguntou.
XXX
— Eu vou ver se o meu gatinho quer ajuda ali com a churrasqueira, vocês querem alguma coisa? Mãe, quer mais berinjela?
— Pode ir, meu bem! Estou ótima. — Lorena respondeu.
— Não, Cat, obrigada!
— Se tiver pão de alho eu vou estar aceitando sim! — Gerluce respondeu e Catarina assentiu.
As três observaram a jovem se afastar e encontrar os dois filhos pelo meio do caminho, os dois estavam com as bochechas coradas por estarem correndo pela casa, numa brincadeira que hora ia bem e hora era uma briga só, trocaram um breve carinho e logo Catarina encontrou o marido. Depositou um beijo rápido na bochecha dele e pousou a mão na cintura do rapaz, que a abraçou com um braço só.
— Essa fase é tão boa, né? — Mag suspirou encarando a cena toda.
— Ah, nem me fale! — Gerluce dando uma golada generosa na bebida — Os dois com tesão e energia pra dar e vender, as crianças pequenas e a vida toda pela frente…
De repente, a conversa foi para um rumo extremamente comum quando mulheres se reúnem para conversar: sexo.
— O-o Paulinho também anda meio sem energia? — Maggye perguntou e Gerluce balançou a cabeça afirmando.
— Esses dias ele dormiu enquanto a gente conversava na cama, vocês acreditam? — Gerluce reclamou.
— O Júnior é igual! E sei lá, eu me cuido tanto, depois que amamentei fiquei me sentindo flácida, coloquei até silicone pra dar uma melhorada na autoestima, faço tanta coisa e parece que ele estagnou! Acha que é só cortar o cabelo, arrumar a barba e BUM, já vou estar derretida por ele.
— É isso! O Paulo tá igual, não faz nada a semana inteira e quando faz, acha que arrasou.
— Anda, Lorena, sua vez! — Mag falou e a morena gargalhou.
As duas amigas encararam Lorena, que até então seguia compenetrada no copo de drink que Eduarda havia preparado e lhe entregado, com direito a um cheiro no pescoço. Não tinha nenhuma queixa para jogar na rodinha. Felizmente, vivia no céu em todos os aspectos, um paraíso de ninfomania e desejo.
— É que a Duda não tem nada disso… — Ela respondeu tentando ser gentil, sem querer me gabar mas a minha mulher parece que é uma morta de fome por mim — Ela tem mais energia que aqueles dois ali — Lorena completou apontando para os dois netos correndo.
— Sério? Mesmo assumindo a delegacia praticamente sozinha? — Gerluce perguntou incrédula.
— Sério — Lorena riu culpada — Ela é… muito empenhada e dedicada nas coisas que ela gosta de fazer — Lorena falou e todas entenderam o duplo sentido daquilo.
— Eu segui meu lado bi completamente errado! Era pra eu ter me casado com uma mulher também! — Mag falou jogando os braços pra cima e as três gargalharam — Mas ela segue no mesmo gás? Sério?
Como é que eu vou explicar que parece que a Eduarda toma um litro de Biotônico Fontoura todo dia sem parecer que eu tô exagerando?
— Na mesma disposição de sempre… Pensei até que mudaria depois que ela entrou na menopausa e de fato, houveram sim algumas mudanças, mas nada que conseguisse impactar a relação de forma negativa — A morena falou e deu um gole na bebida.
— Viu? Inacreditável! — Mag falou batendo palma.
— Mudanças tipo o que? — Gerluce perguntou.
— Tipo… O sono dela deu uma piorada e eu me mexo muito a noite, às vezes ela acorda meio brava… o calor descomunal e a impaciência dela com os outros em alguns momentos.
— Ela sempre foi impaciente com os outros! — Gerluce falou rindo.
— Você que foi a sorteada e botou ela na coleira! — Mag emendou.
— V-vocês já tentaram conversar com eles? — Lorena perguntou depois que sentiu os olhares de ambas em si.
— Ai, Lorena, eu não aguento mais conversar! Queria uma noite bem romântica, bem delícia com vinho, música baixinha e um amor bem gostoso! — Maggye falou e bateu a mão na própria coxa.
— É isso! Queria ser bem mimada! Deitar lá e ser tipo a Cleópatra! — Gerluce respondeu.
— E o que é ser mimada para vocês? — Lorena perguntou, meu Deus, elas devem estar querendo algo muito impossível ou os homens são péssimos mesmo!
— Um jantar, com muitos elogios, falando que eu to uma gostosa, e depois todas as preliminares possíveis! — Maggye falou e pontuava nos dedos.
— Isso! Muitas horas de preliminares e um bom vinho para dar uma acendida em tudo e só então, uma noite de amor!
Lorena seguiu alternando o olhar entre as duas amigas, como se elas fossem duas extraterrestres, tanto que Gerluce logo percebeu.
— Que cara é essa, Lore?
— É que… meu Deus, gente — Lorena respondeu, com uma mistura de pena e um leve choque cultural. — Isso daí que vocês descreveram como o auge do luxo… é literalmente a minha terça-feira com a Eduarda.
XXX
— Meu Deus… Que situação minha amiga Gerlu tá passando! — A ruiva falou balançando a cabeça sensibilizada.
— Sua amiga? — Paulinho perguntou ultrajado e culpado na mesma proporção — E eu, Duda? E eu? Depois desse dia eu quis fazer uma surpresa e me depilei inteiro, m-mas acho que fiz alguma coisa muito errada, Juca! — Ele falou desesperado — Toda noite eu invento um cansaço sem fim, e-eu não sei o que fazer!
— Você é muito totoca das ideias! Primeiro, você brocha, depois quer fazer uma surpresa se depilando todo com lâmina? A ideia é castrar?
— Eu sei, eu sei… Só quis fazer surpresa!
— Prepara um jantar, leva ela pra sair, compra um vibrador, sei lá, porra! — Eduarda falou impaciente. Realmente, a idade vai chegando e a paciência pra burrice vai acabando.
— O-olha aqui como é que tá… — Ele falou num tom mais baixo e por um instante, os dois permaneceram se encarando.
— O QUE? — Ela berrou e deu um passo para trás — Paulinho, eu não vou olhar nada!
— FALA BAIXO, PELOAMORDEDEUS! — Ele pediu entredentes — E vai olhar sim! P-por favor, Duda! E-eu não vou ter coragem de mostrar isso a mais ninguém!
Após os três segundos de silêncio e dos dois se encarando, Paulinho começou a desatar o cinto da cintura, depois desabotoou a calça e Eduarda sentiu ânsia de vômito. A ruiva nunca teve problemas com pêlos corporais, mas ali, soube que não tinha nada contra pêlos femininos, e o estômago embrulhou só em ver a linha alba toda peluda, meu Deus, as pessoas se submetem a cada coisa mesmo, imagina deitar com uma coisa dessas…
— Paulinho… que modelo de cueca horroroso é esse, pelo amor de Deus… Isso aí por si só já é um método contraceptivo!
— Respira, Duda, respira… V-vou baixar ela agora.
Ela respirou fundo, sentou na cama e colocou a mão na frente da boca, totalmente nauseada.
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— A Lorena tá tão calada hoje que eu tô com ódio! — Mag falou e Lorena riu.
— É que eu não tenho o que falar, uai!
— Tá bom, Lorena, tá bom! A gente já entendeu que a Eduarda é perfeita e que ela faz tudo bem feito! Nossa, que ódio que eu to do Paulinho! — Gerluce falou após fazer uma breve comparação.
— Inclusive, eles estão demorando bastante, né? — Lorena observou.
— Eu bem que poderia mostrar o resultado da minha cirurgia para vocês agora, né?
— É verdade! — Gerluce falou.
— Vamos lá dentro rapidinho? — Mag convidou e as três se levantaram quase que ao mesmo tempo.
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— Eu acho que não vou conseguir dormir hoje a noite… — Eduarda falou para si mesma.
— Pelo amor de Deus, t-tá tão ruim assim? — Paulinho perguntou, puxando a cueca pra cima no desespero e quase chorando de vergonha.
— Essa foi a coisa mais feia que eu já vi na vida, Paulinho — Ela falou com um ar triste — tá um mix de foliculite com assadura, a costura da cueca em cima piorou tudo… Cara, não faz mais isso… Sair daqui, vai numa farmácia e compra alguma pomada de assadura, daquelas de neném mesmo, pasta d'água, vai num dermatologista, sei lá…
— Vou comprar…
— Meu Deus, como é que a Gerlu vai ser feliz com uma coisa feia dessas? — Ela murmurou.
— Ah, pelo amor de Deus, ele tá feio assim porque tá mole!
— NUNCA MAIS, nunca mais repita essas palavras asquerosas perto de mim! — Eduarda falou puro ultraje, com os olhos quase saltando pra fora — Agora espera aqui — Ela pediu e voltou do closet com um objeto pequeno nas mãos.
— O que é isso? — Ele perguntou quando ela estendeu a mão, entregando um objeto de silicone.
— É um vibrador, um bullet. É o único que eu tenho que nunca foi usado, limpa ele, compra um lubrificante decente e usa com a Gerlu, pra se redimir!
Paulinho riu, guardando o objeto pequeno no bolso da calça.
— Tô falando sério! Ai, Paulinho… Conversa com ela, explica sua ideia tenebrosa e por enquanto, vai fazendo outras coisas… — Eduarda falou sem querer ser invasiva demais.
— O-outras coisas? Tipo, tipo o que? — Ele perguntou com as mãos nos bolsos.
— AGRADAR, Paulinho! Sabe? Usar outras partes do corpo que não estejam terríveis! — Eduarda falou elevando a voz — Usa a língua, os dedos, a imaginação! CHUPA SUA MULHER IGUAL SE CHUPA UM CAROÇO DE MANGA, SEU DESGRAÇADO! Trabalha com vontade, faz preliminar de verdade, deita a cabeça ali e só sai quando ela esquecer até o próprio nome! — Ela finalizou sentindo a veia da testa saltar, esse puto quer me infartar hoje!
Paulinho arregalou os olhos, chocado, mas estava grato demais para reclamar qualquer coisa.
— Obrigada, Juquinha!
— Não me agradeça, você vai me pagar um bom vinho ou uma sessão na terapia!
— Fazer o quê, somos amigos íntimos agora! — ele falou, puxando a ruiva pra um abraço de urso contra o peito, rindo da própria desgraça.
— Você é simplesmente ridículo, me larga! — ela reclamou, rindo e empurrando ele.
Duas batidas na porta acabaram o momento.
Paulinho se apressou em rodar a chave e destrancar a porta e sorriu amarelo ao encontrar as três mulheres do lado de fora.
Lorena trocou um olhar de curiosidade com Eduarda, o que rolou aqui?, que respondeu levantando as sobrancelhas e piscando, mais tarde te conto!
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— Bora cantar o parabéns, né! — Breno falou.
— Parabéns pa você — Tunico cantava batendo palminhas e todos derreteram.
— Puxa aí, Paulinho! — Júnior falou.
O coro de vozes começou a cantar e a bater palma, Eduarda encarou os rostos ali presentes, sentiu o peito amolecendo de tanto amor e claro, chorou. Apagou a velinha e apenas replicou o pedido que a esposa havia feito naquela manhã.
Lorena seguia sorridente ao seu lado, com os olhos amorosos de sempre e aquilo bastava. Gerluce, Júnior, Breno e Maggye logo foram organizar os cortes do bolo, enquanto as donas da casa seguiam abraçadas dançando com Catarina e Aninha.
— Eu tô morrendo de fome! Quero uma carninha com vinagrete! — Eduarda falou e como num filme, ela arregalou os olhos e lembrou da churrasqueira e sentiu aquele cheiro.
A ruiva só correu, Paulinho indo logo atrás, já entendendo o que havia acontecido.
— O desgraçado entra na minha casa com essa camisa horrorosa e ainda queima minha carne! —Eduarda murmurou baixinho, trincando os dentes, fuzilando o nada enquanto corria. — A culpa é completamente sua, Paulinho!
— Esqueci a churrasqueira… Perdão, sogrinha! — Breno falou sorrindo amarelo.
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A festança foi acabando, os convidados indo embora…
— Você me chamou pra dividir uma fatia de bolo e colocou a parte com mais recheio para você! — Paulinho falou empurrando levemente Lorena com o ombro.
— Você deveria me agradecer! — Ela devolveu o empurrão — Tá muito gordo pra ficar comendo muito recheio, depois entope as artérias e não sabe o que foi! — Completou rindo e ele parou encarando ela com a boca aberta.
— Ô Nhonho, sua mulher tá te esperando lá fora! — Eduarda avisou, rindo encostada no batente e se deliciando com a picuinha dos dois.
— Vem aqui coisa chata! — Lorena chamou e abraçou Paulinho, que tentava se soltar dali, até que a abraçou de verdade — Tem uma vasilha com bolo e as coisas da festa, entreguei pra Gerlu! E lembre: A VASILHA NÃO É BRINDE!
— Você é muito chata! — Ele resmungou contra o ombro dela.
— Ei, acho que o seu celular tá tocando no bolso, tá vibrando! — Lorena falou e ele e Eduarda trocaram um olhar. Era o vibrador… deve ter ligado!
— Tchau pra vocês! — Paulinho berrou, enfiando a mão no bolso no desespero pra tentar desligar o troço.
As duas ficaram de pé no portão, dando tchau a filha, ao genro e aos netos, que foram os últimos a irem embora. Os netos queriam muito ficar para dormir e em segredo, Eduarda agradeceu muito a todos os santos por terem ido, tinha planos para o fim daquela noite!
— Amei minha festa surpresa, amor, obrigada! — Eduarda falou, puxando Lorena pelas mãos, encurtando a distância e selando os lábios dela num beijo calmo.
— Eu também! — Lorena sorriu contra a boca da esposa. — Fazia tempo que a gente não se reunia com todo mundo.
— É verdade, tá uma correria louca ultimamente, né? Eduarda murmurou, aproveitando a proximidade pra dar um cheiro no pescoço cheiroso da morena.
As duas seguiram conversando e foram apagando as luzes e fechando as portas por onde passavam, até que finalmente chegaram no quarto.
— Hum, amor, a cirurgia da Maggye ficou linda! — Lorena falou enquanto se virava para que Eduarda baixasse o zíper do vestido.
— E ela fez cirurgia de que? — A ruiva perguntou já ajudando a esposa a tirar a roupa.
— Ela botou silicone.
— Foi? — Eduarda ajudou o tecido a cair, deslizando as mãos pelas curvas do quadril de Lorena — Acho que por isso senti uma coisa diferente quando abracei ela!
— Juro, os peitos dela ficaram lindos demais! — Lorena falou desabotoando a camisa da esposa.
— Meu Deus, que vida tão injusta! — Eduarda soltou um suspiro dramático segurando sua cintura — Ao passo que você viu os peitos turbinados da Maggye hoje, vi o pinto do Paulinho! Que horror!
— COMO ASSIM? — Lorena perguntou, arregalando os olhos, dividida entre o choque e uma crise de riso. — E por acaso você queria ter visto os peitos dela? — Lorena perguntou arqueando uma sobrancelha fingindo um ciúme.
— Amor, não, claro que não! Os únicos peitos que quero ver hoje estão bem aqui — Eduarda falou com um sorriso galante que fez Lorena rir — Mas é uma longa história e em resumo ele quis fazer uma surpresa pra Gerluce e se depilou com lâmina… Tá uma desgraceira enorme!
— Meu Deus…
As duas terminaram de tirar a roupa e foram conversando, seguindo para o banheiro.
— As nossas amigas estão passando pelo mapa da fome mesmo, isso eu tenho certeza.
— Como assim, meu bem?
— Amor, a Gerluce falou que o Paulinho é um velho sonolento e a Maggye falou que se cuida muito, faz de tudo pra agradar e não tem resultado nenhum! — Lorena falou ligando o chuveiro e entrando debaixo.
— Achei o Júnior meio distante hoje, chegou bem mais tarde e sei lá… Esquisito. — Eduarda entrou no box logo atrás, abraçando Lorena por trás e colando os corpos molhados
— Quanto ao Paulinho, dei várias dicas hoje.
— Dicas, de que?
— De como agradar a mulher dele… começando pela troca das cuecas horríveis que ele usa, um terror! Acaba qualquer clima!
Lorena virou de frente, o vapor do chuveiro embaçando o vidro e pegou o sabonete. Com movimentos lentos, começou a ensaboar os ombros e o colo de Eduarda. A ruiva fechou os olhos por um segundo, apreciando o carinho, antes de segurar o pulso macio de Lorena, que traçou uma trilha de beijos lentos e molhados pela clavícula da ruiva. Eduarda soltou um suspiro fundo, a empurrou com delicadeza contra a parede úmida do box e deslizou as mãos ensaboadas pelas coxas e pela cintura da esposa, moldando aquele corpo que conhecia como a palma da mão.
— Amor… — Lorena murmurou entre um beijo e outro.
— Hum? — Eduarda respondeu com a boca passeando pela linha do maxilar da esposa.
— Você… você ainda me acha bonita?
Eduarda parou imediatamente com os beijos, se afastando só o suficiente para encarar aqueles olhos verdes tão familiares, Lorena sorriu tímida na mesma hora e a ruiva deslizou os polegares suavemente pelas bochechas molhadas da esposa.
— Meu amor, você é a coisa mais linda que eu já vi na vida e eu faço questão de te dizer isso umas cem vezes por dia… A mais gostosa que eu já pus na boca e é o que eu quero pro resto da minha vida… Que tipo de pergunta é essa? Conta pra mim o que é que tá se passando aí nessa cabecinha.
— Ah, é que sei lá… As meninas falaram tanto hoje sobre se arrumarem mais para os maridos que… que fiquei me sentindo muito básica.
— Primeiro: uma pessoa com essa cara e esse corpitcho nunca vai ser básica, segundo: eu sou completamente sua, maluca por você, Lorena, totalmente sua e você não precisa se arrumar pra mim, até porque eu quero você do jeito que você estiver e tá maravilhoso assim. Delicioso! Você é toda linda!
Lorena sentiu o peito aquecer com aqueles olhos castanhos falando aquelas coisas daquele jeito, mas gostava de se fazer de papel para levar tesourada.
— E… E se eu botasse silicone?
— Amor… Eu acho que tá perfeito assim, os seus peitos são a cura pro meu TDAH, só consigo me concentrar em duas coisas ao mesmo tempo olhando pra eles… Por mim, tá ótimo, mas se é uma coisa que tá te incomodando… Sei lá, a gente pode ir num médico? Ouvir o que ele vai falar… Eu apoio tudo o que vá te deixar mais feliz!
Lorena deu um sorriso lindo, como é que que pode? Sou a mulher mais sortuda do planeta terra mesmo! Ela aproximou a boca do ouvido de Eduarda, roçando os lábios ali e sussurrou:
— Você sabia que o pós-cirúrgico é bem chatinho? Um mês inteirinho sem fazer esforço, sem sexo… — Lorena falou e Eduarda seguia estática, já pensando em passar 30 dias no vale da sombra da morte.
— Um mês…
— Você sabe que eu jamais aguentaria, né? — Lorena disse por fim e Eduarda suspirou aliviada.
— Amor, não fala essas coisas nem brincando… — Eduarda riu, puxando Lorena de vez pela cintura e colando os quadris com vontade — Sou idosa, meu coração não aguenta essas coisas não!
— É verdade… Será que você vai aguentar me ver com a lingerie que eu comprei só pra ver você tirando? — Lorena perguntou sorrindo maliciosa.
— A gente pode testar hoje ainda? — Eduarda perguntou e sorriu contra os lábios da esposa.
— Eu te amo! — Lorena respondeu entre beijos.
— Também te amo! — Eduarda respondeu e desligou o chuveiro — Agora a festa vai ser no colchão! — A ruiva falou e recebeu uma tapa na bunda.
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